Brasília – 16/07/2026: O governo federal elabora um pacote de respostas à sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. As medidas envolvem possível aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, criação de auxílios financeiros a setores prejudicados e nova rodada de negociações diretas com a administração Trump para ampliar exceções na lista tarifária.
Três frentes de ação
1. Lei da Reciprocidade Econômica – autoriza o Brasil a cobrar dos EUA alíquotas equivalentes às aplicadas contra exportadores nacionais. A adoção depende de pareceres jurídicos, consulta a indústrias afetadas, compatibilização com normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e regras do Mercosul.
2. Auxílios financeiros – o Planalto estuda editar medida provisória para conceder apoio emergencial a empresários atingidos. A liberação de recursos, porém, pode esbarrar em vedações legais ligadas ao calendário das eleições municipais de 2024, o que tende a retardar pagamentos imediatos.
3. Negociação com Washington – diplomatas brasileiros tentarão convencer a Casa Branca a isentar um número maior de mercadorias, argumento já utilizado com êxito em 2025, quando itens foram retirados da lista tarifária após conversas bilaterais.
Por que os EUA taxaram o Brasil?
A administração norte-americana aponta seis alegadas práticas desleais: funcionamento do Pix e de outros pagamentos digitais, barreiras ao etanol dos EUA, acordos comerciais com Índia e México, desmatamento ilegal, falhas na proteção de marcas, além de decisões judiciais brasileiras que determinaram remoção de conteúdos ou suspensão de perfis de usuários norte-americanos em plataformas como X, Meta e Google.
Setores mais afetados
A sobretaxa se soma a tarifas já vigentes sobre aço, alumínio, cobre, madeira, veículos e autopeças, impactando exportações brasileiras consideradas insumos importantes para a própria indústria dos Estados Unidos.
Perspectivas de reversão
Autoridades brasileiras lembram que, no ano passado, parte das tarifas foi suspensa após negociação direta, e que a Suprema Corte dos EUA já anulou medidas similares por falta de autorização do Congresso. O Itamaraty aposta em argumentos de que custos mais altos recaem sobre consumidores e empresas norte-americanas, aumentando as chances de flexibilização.
O governo ainda não definiu prazos para anunciar as ações, mas interlocutores apontam que a combinação de retaliação, apoio interno e diálogo bilateral deve nortear a estratégia contra o novo tarifaço.
Com informações de Gazeta do Povo