Brasília – A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) passaram a descartar a possibilidade de receber uma nova proposta de colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master e alvo de investigação por fraudes financeiras bilionárias.
Corporações rejeitaram duas propostas
Fontes que acompanham o caso informam que, nas últimas semanas, intensificaram-se conversas internas para encerrar definitivamente o tema. A defesa de Vorcaro apresentou duas propostas de delação, ambas recusadas pela PF e pela PGR por falta de informações inéditas e provas suficientes.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou publicamente, no início de julho, que “não há interesse técnico” em prosseguir com o acordo, pois “muitas das coisas já são do conhecimento” dos investigadores.
Cunhado e ex-presidente do BRB também tiveram pedidos barrados
Até o momento, nenhum dos demais potenciais colaboradores do chamado caso Master firmou acordo. A proposta do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi rejeitada, e a do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, permanece em análise – com tendência de indeferimento. Investigações ainda podem envolver o pai e o primo do ex-banqueiro, Henrique e Felipe Vorcaro, ambos presos, e o fundador da Reag, João Carlos Mansur, que chegou a iniciar tratativas.
Papel decisivo da PGR
Cabe à PGR chancelar qualquer acordo antes de enviá-lo para homologação do relator no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça. Conforme especialistas, confissão detalhada, apresentação de fatos novos comprováveis e garantia de reparação de danos são requisitos básicos. Foi a ausência desses elementos que levou PGR e PF a interromper as tratativas com Vorcaro.
Divergência bilionária e ausência de provas
Na segunda tentativa de acordo, em junho, a defesa ofereceu devolver R$ 40 bilhões ao longo de dez anos. Investigadores exigiam R$ 60 bilhões de forma imediata para cobrir prejuízos apontados no Banco Master. Além disso, parte dos relatos de Vorcaro baseava-se em informações de “ouvi dizer”, segundo avaliação da PF.
Cadeia de custódia reforçada após vazamentos
A PF reforçou mecanismos de sigilo após suspeitas de vazamento de conversas íntimas ligadas ao inquérito. A corporação chegou a realizar buscas internas para apurar o episódio e afastou o perito João Cláudio Nabas, investigado por montar dossiê com dados de ministros do STF.
Transferência para a Papuda
Com o impasse na delação, Vorcaro deixou a cela especial na Superintendência da PF em Brasília e foi transferido, em junho, para o Complexo da Papuda, na ala conhecida como “Papudinha”. A mudança, autorizada pelo ministro Mendonça, atendeu pedido da PF, que alegou inadequação da unidade anterior para longas prisões preventivas.
O relator determinou ainda que a administração prisional impeça qualquer contato entre investigados da operação Compliance Zero, que apura irregularidades no Banco Master, incluindo o ex-presidente do BRB.
Vorcaro segue investigado por comandar suposto esquema de fraude que teria causado prejuízos bilionários a correntistas, investidores e fundos de previdência. Com o veto à delação, a expectativa dos investigadores é concentrar esforços em outros possíveis colaboradores que possam apresentar fatos inéditos e evidências robustas.
Com informações de Gazeta do Povo