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Bispo dos EUA prega recusa de comunhão a políticos que defendem o aborto

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Washington (EUA) – O bispo Thomas Paprocki, da Diocese de Springfield, Illinois, afirmou que ministros católicos devem negar a comunhão a autoridades públicas que apoiem abertamente o aborto ou outros “males morais graves”, citando o Cânon 915 do Direito Canônico. A declaração foi feita em 14 de julho, durante conferência no Instituto para a Cultura Católica, quatro anos após o lançamento do Renascimento Eucarístico Nacional nos Estados Unidos.

Paprocki observou que o movimento, iniciado em 2022 pelos bispos norte-americanos para reavivar a fé na presença real de Cristo na Eucaristia, busca não apenas maior devoção ao sacramento, mas também “coerência eucarística” — isto é, consonância entre crença e conduta moral dos fiéis.

“Medida medicinal”

Segundo o bispo, católicos em pecado mortal devem buscar a reconciliação antes de receber a Eucaristia. Caso insistam, acrescentou, o ministro tem obrigação de negar o sacramento para evitar sacrilégio. “Quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente terá de responder pelo corpo e sangue do Senhor”, citou, recordando a Primeira Carta aos Coríntios.

Para Paprocki, a recusa da comunhão não pretende punir, mas “promover mudança de coração” e conduzir o fiel à conversão. O prelado listou situações que, em sua avaliação, justificam a negativa: coabitação sem casamento, relações homossexuais ativas, divórcio seguido de nova união sem anulação e apoio público a práticas como aborto ou eutanásia.

Debate entre os bispos

O tema reacende a discussão travada na assembleia dos bispos dos EUA, em 2021, sobre a admissibilidade de políticos católicos pró-aborto à mesa da comunhão. Parte do episcopado temia a “politização” do sacramento, enquanto outro grupo defendia a proteção da integridade da Eucaristia.

Paprocki recorreu a um memorando de 2004 do então cardeal Joseph Ratzinger (posteriormente papa Bento XVI) para justificar sua posição. O documento orienta que, diante de “pecado grave manifesto” e “persistência obstinada”, o ministro “deve” negar a hóstia consagrada.

Caso Durbin

O bispo lembrou ter aplicado a norma em 2018, quando proibiu o senador democrata Dick Durbin, de Illinois, de comungar por apoiar projetos que ampliavam o acesso ao aborto. “A finalidade é o retorno à plena comunhão com a Igreja”, frisou.

A conferência integrou a programação do Renascimento Eucarístico, que teve seu ápice no Congresso Eucarístico Nacional, realizado no ano passado. Para Paprocki, exigir retidão moral de quem se aproxima do altar é condição “essencial” para que o movimento alcance frutos duradouros.

Com informações de Gazeta do Povo