O governo brasileiro definiu três frentes para responder à tarifa de 25% sobre parte das exportações nacionais, confirmada pelos Estados Unidos na noite de quarta-feira, 15 de julho de 2026. Entre as ações em análise estão a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, a criação de auxílios financeiros a empresas prejudicadas e uma nova rodada de negociação com a administração Donald Trump para ampliar a lista de produtos isentos.
Reciprocidade na mira
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a equipe técnica examina a base legal das tarifas para definir medidas equivalentes. A Lei da Reciprocidade, aprovada em 2025, permite retaliar com alíquotas iguais, mas exige etapas prévias de negociação, consultas ao setor privado e, se necessário, abertura de painel na Organização Mundial do Comércio (OMC). As normas do Mercosul também limitam manobras unilaterais.
Auxílio setorial em estudo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que avalia uma medida provisória para apoiar empresas atingidas. Ele antecipou reuniões com representantes dos setores mais afetados, mas lembrou que o “defeso eleitoral”, em vigor neste período, impõe restrições à liberação imediata de benefícios públicos.
Negociação de exceções
Durigan confirmou a intenção de buscar junto a Washington a ampliação da lista de exceções à nova tarifa, estratégia adotada em 2025, quando um tarifaço anterior foi parcialmente suavizado. Naquele episódio, a lista reduzida vigorou até fevereiro de 2026, quando a Suprema Corte norte-americana suspendeu a medida por falta de aval do Congresso.
Motivos alegados pelos EUA
Documento do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) aponta seis motivos para a sobretaxa: funcionamento do Pix e de outros sistemas de pagamentos digitais, acordos tarifários preferenciais com países como México e Índia, barreiras ao etanol americano, desmatamento ilegal, falhas no combate à pirataria e à propriedade intelectual e impunidade em casos de corrupção. O USTR também cita decisões judiciais brasileiras que determinam, sob sigilo, a remoção de conteúdo e a suspensão de perfis de usuários de plataformas norte-americanas.
Tarifas já em vigor
A nova alíquota soma-se a outras duas medidas dos EUA contra produtos brasileiros. A primeira, válida desde 2025, elevou tarifas para aço, alumínio, cobre, madeira, automóveis e autopeças. A segunda, uma sobretaxa global adicional de 10%, expira em 24 de julho deste ano e depende de renovação pelo Congresso norte-americano.
Com as três linhas de ação — reciprocidade, auxílio interno e negociação direta —, o Palácio do Planalto pretende definir uma resposta nas próximas semanas, após concluir consultas jurídicas e setoriais.
Com informações de Gazeta do Povo