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Filho de pastor cubano deixa prisão de segurança máxima, mas recebe ordem de silêncio público

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O adolescente cubano Jonathan David Muir Burgos, 17 anos, foi libertado na última quarta-feira após passar mais de três meses na penitenciária de segurança máxima Canaleta, em Ciego de Ávila. A saída da cadeia impôs a ele uma série de restrições, entre elas a proibição de fazer declarações presenciais em público, informou a organização britânica Christian Solidarity Worldwide (CSW).

Jonathan foi detido em 16 de março, quando ainda tinha 16 anos, juntamente com o pai, o pastor evangélico Elier Muir Ávila. Ambos compareceram voluntariamente a uma delegacia após receberem intimações. O pai foi liberado no mesmo dia; o jovem ficou preso, acusado de sabotagem, crime que pode levar a até 15 anos de reclusão.

Prisão domiciliar e veto a declarações

Segundo a CSW, a liberação de Jonathan segue o Artigo 36 do Código Penal cubano, que prevê a Reclusión Domiciliaria — modalidade similar à prisão domiciliar. A família não divulgou todos os termos do acordo, mas confirmou que ele não poderá participar de atos ou entrevistas presenciais.

Maus-tratos na cadeia

Durante a detenção, parentes denunciaram tortura física e psicológica. A mãe, pastora Minervina Burgos López, relatou que o filho não recebeu tratamento adequado para disidrose, desenvolveu infecções bacterianas por estreptococos e estafilococos, sofreu desnutrição e desmaios, além de conviver com percevejos na cela. O jovem também apresentou quadro de depressão e desorientação.

Enquanto Jonathan permanecia preso, o governo divulgou uma foto dele tocando piano, que a família classificou como “propaganda” destinada a mascarar o estado debilitado do adolescente.

Contexto religioso e político

Elier Muir Ávila lidera a congregação protestante independente Tiempo de Cosecha, que atua fora do sistema religioso reconhecido pelo Estado. Organizações como a Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional apontam que a detenção de Jonathan foi usada como forma de pressionar o ministério do pai.

Jonathan foi preso durante manifestações contra apagões, falta de alimentos e escassez de medicamentos. Em Morón, sua cidade natal, moradores protestaram após sete noites seguidas de blecautes; imóveis do Partido Comunista foram incendiados e houve relatos de um manifestante baleado. Depois dos protestos, autoridades realizaram batidas e prisões, incluindo menores de idade.

Repercussão internacional

A Anistia Internacional classificou Jonathan como “prisioneiro de consciência”. O presidente da CSW, Mervyn Thomas, pediu que a comunidade internacional condene o tratamento dado a manifestantes pacíficos, especialmente a menores de idade.

Levantamento da ONG Cubalex registrou, apenas em fevereiro, 242 episódios repressivos e 528 incidentes de assédio em Cuba, afetando 190 pessoas. As províncias com mais casos foram Havana, Ciego de Ávila e Santiago de Cuba.

Ainda não há informações sobre eventuais recursos judiciais ou mudanças nas acusações contra Jonathan.

Com informações de Folha Gospel