O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou, em relatório divulgado nesta quinta-feira (25), que a probabilidade de a inflação superar o teto da meta em 2026 subiu de 30% para 79%.
De acordo com o documento, a projeção para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 3,9% para 5,2%. A meta definida para o ano é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Caso o índice efetivo fique fora desse intervalo por seis meses consecutivos, o Banco Central é obrigado a enviar carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões do descumprimento e as medidas a serem adotadas.
Cautela na Selic
O Copom reiterou que a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25% ao ano, será reduzida de forma “lenta e prudente”. O colegiado atribui a postura conservadora ao aumento da incerteza fiscal, assinalando “indisciplina” nas contas públicas.
Pressões sobre os preços
Segundo o Banco Central, a piora nas expectativas inflacionárias decorre da valorização do petróleo, do encarecimento de outras commodities e de um hiato do produto maior que o previsto, indicando utilização acima do potencial da capacidade produtiva. O fenômeno El Niño também foi citado como fator que pode elevar custos, embora de maneira passageira e menos intensa.
PIB revisto para cima
Apesar do cenário adverso para a inflação, o Copom elevou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 de 1,6% para 2%. A projeção para a indústria avançou de 1,2% para 2,3%, impulsionada pela expectativa de aumento da demanda.
Endividamento e inadimplência
O relatório chama atenção para o endividamento das famílias, que alcança 49,8% da renda, com comprometimento de 29,3%. A inadimplência também segue em alta desde o início de 2025 e atinge 5,4% do total de crédito do sistema financeiro.
Com informações de Gazeta do Povo