Brasília – Relatórios da Polícia Federal (PF) apontam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) se reuniu em 2024, na capital federal, com Augusto Lima, considerado braço direito do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para tratar de temas de interesse da instituição financeira.
Conversas apreendidas pela PF
As suspeitas contra o parlamentar surgiram durante a Operação Compliance Zero, que apreendeu celulares de investigados. Em áudios de agosto de 2024, Wagner convida Lima a comparecer ao seu gabinete no Senado para “saber como estão as coisas do banco” e discutir assuntos eleitorais. Segundo a PF, as trocas de mensagens incluem compartilhamento de contatos pessoais e marcaram encontros reservados.
O que é a Emenda Master
O texto em debate no Senado propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em caso de quebra de bancos. Investigadores avaliam que a mudança beneficiaria especialmente instituições de menor porte ou em dificuldades, como o Banco Master naquele período, ao oferecer maior segurança aos investidores.
Avaliação da Polícia Federal
No relatório, a PF descreve um “acompanhamento contínuo, sistemático e documentado” de pautas de interesse do grupo financeiro por parte de Wagner entre 2022 e 2025. Para os investigadores, o comportamento sugere possível atuação parlamentar alinhada a objetivos econômicos do banco.
Posicionamentos das defesas
A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e sustenta que os contatos foram de caráter pessoal, sem atuação em favor de instituições financeiras. Representantes de Augusto Lima afirmam que o empresário sempre respeitou as normas do sistema financeiro e consideram as buscas policiais “desnecessárias”, alegando que ele coopera com as autoridades.
Pressão política
Com o avanço das investigações, Wagner enfrenta cobrança de aliados para deixar o posto de líder do governo no Senado. Ele deve apresentar sua versão dos fatos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias. Apesar do desgaste, o Palácio do Planalto avalia a importância do senador na articulação de projetos prioritários, como a PEC da Segurança Pública e mudanças na jornada 6×1.
A investigação segue em curso e, até o momento, não há denúncia formal apresentada contra o parlamentar.
Com informações de Gazeta do Povo