O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) a participação em uma audiência pública marcada para 6 de julho, na qual será decidido se Washington aplicará uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
O pedido, protocolado na segunda-feira, 22 de junho, concede ao parlamentar cinco minutos para se manifestar. No documento, Flávio se apresenta como pré-candidato à Presidência da República e “figura proeminente da oposição parlamentar”. Ele afirma que a tarifa foi tema de sua recente reunião com o presidente norte-americano, Donald Trump.
Argumentos contra a taxação
No pronunciamento que pretende fazer, o senador diz que se oporá não apenas à taxação, mas também a “qualquer medida direcionada ao sistema público de pagamentos do Brasil”, referência ao Pix. Segundo Flávio, as medidas favorecem o governo Lula (PT) e prejudicam produtores de ambos os países.
Ele promete apresentar provas e defender a “suspensão da ação proposta”, sugerindo a abertura imediata de um mecanismo bilateral de negociação com calendário e regras de aplicação que preservem a influência norte-americana. O parlamentar argumenta que as tratativas avançariam mais sob um “governo brasileiro reformista” do que sob a gestão atual.
Contexto político
A movimentação ocorre após o encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, quando os Estados Unidos anunciaram a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida foi celebrada pela pré-campanha do senador, mas o subsequente anúncio da possível tarifa reacendeu críticas, e opositores nas redes sociais passaram a chamá-lo de “Tariflávio”.
Nos bastidores, empresas de cartões de crédito norte-americanas reclamaram ao governo dos EUA que o Pix, por ser gratuito e amplamente utilizado, cria desequilíbrio competitivo. Durante o debate, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) sugeriu comparar o Pix ao sistema Zelle, popular nos Estados Unidos, fala que gerou acusações de tentativa de substituição do mecanismo brasileiro. Após contestar as críticas, Eduardo exigiu retratações da imprensa e a pré-campanha adotou o slogan “o Pix é do Bolsonaro” para conter o desgaste.
O USTR ainda não divulgou se aceitará o pedido do senador para falar na sessão de 6 de julho.
Com informações de Gazeta do Povo