Agências estatais iranianas informaram nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, que dois manifestantes envolvidos nos protestos ocorridos entre dezembro e janeiro foram executados. Segundo as autoridades, Javad Zamani e Abolfazl Saedi receberam sentença de morte da 1ª Vara do Tribunal Revolucionário de Shahroud.
Os dois foram condenados por destruição e incêndio de propriedades públicas e privadas, reunião e conluio contra a segurança nacional, porte e uso de armas de fogo e armas brancas, além dos crimes religiosos de moharebeh (guerra contra Deus) e efsad-fil-arz (corrupção na Terra). Todos os bens dos réus foram confiscados.
ONG denuncia falta de julgamento justo
A organização Iran Human Rights, sediada na Noruega, afirmou que pelo menos 20 manifestantes foram executados no Irã desde 19 de março. O diretor da entidade, Mahmood Amiry-Moghaddam, declarou que, assim como em outros casos, a execução ocorreu sem atender aos padrões mínimos de um julgamento justo e teve como objetivo “espalhar medo e evitar novos protestos”.
Execuções ocorrem às vésperas de pacto que encerra conflito
O anúncio foi feito dois dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgar um acordo destinado a encerrar a guerra travada por EUA e Israel contra o Irã desde 28 de fevereiro. A assinatura oficial está marcada para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça.
Para Amiry-Moghaddam, a comunidade internacional deve colocar a suspensão imediata das execuções no topo da agenda ao retomar relações com Teerã. Ele defendeu que uma moratória sobre a pena de morte seja condição central para qualquer normalização entre a União Europeia e a República Islâmica.
Número de execuções bate recorde
Relatório da Anistia Internacional apontou que o Irã realizou 2.159 execuções em 2025, mais que o dobro das 972 contabilizadas em 2024. O total do ano passado é o maior registrado no país desde 1981.
Com informações de Gazeta do Povo