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Sindicatos bolivianos admitem negociação após EUA ameaçarem revogar vistos

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La Paz – A possibilidade de ter vistos para os Estados Unidos negados ou revogados levou as principais organizações por trás dos protestos na Bolívia a defender, pela primeira vez, um diálogo com o governo do presidente Rodrigo Paz. O recuo ocorre depois de mais de 40 dias de bloqueios de estradas e manifestações que têm paralisado partes do país.

No início da semana, a Embaixada dos EUA em La Paz divulgou que bolivianos envolvidos em atos violentos poderão perder o direito de viajar ou permanecer em território norte-americano. Imagens de confrontos foram publicadas nas redes sociais da representação diplomática, acompanhadas do aviso: “Não arrisque seu visto”.

COB e camponeses flexibilizam posição

A Central Obrera Boliviana (COB), maior central sindical do país, e a Federação de Camponeses de La Paz Túpac Katari — responsáveis por coordenar grande parte dos bloqueios — deixaram de exigir a renúncia de Paz e passaram a admitir uma mesa de negociação. A proposta será submetida às bases de ambas as entidades para decidir se a pressão continua ou se o diálogo com o Palácio Quemado é aceito.

Crise já soma dez mortos

Segundo a Defensoria do Povo, ao menos dez pessoas morreram desde o início da crise: sete devido à falta de atendimento médico causada pelos piquetes e três em episódios de violência durante operações policiais. Os bloqueios também provocaram escassez de combustíveis e alimentos, alta de preços de produtos básicos e paralisação de serviços como transporte público e coleta de lixo em cidades como La Paz, El Alto e Cochabamba.

Apelo por um “Pacto Social”

A Igreja Católica boliviana e a Defensoria do Povo convocaram líderes locais para firmar um “Pacto Social pela Paz e Reconciliação”, iniciativa que busca evitar a escalada da violência e encontrar uma saída pacífica para as tensões políticas.

O governo dos Estados Unidos já havia classificado os protestos — organizados por movimentos de esquerda — como “tentativa de golpe” contra um presidente eleito democraticamente. Com a nova pressão norte-americana sobre vistos, a postura dos sindicatos mudou e o país aguarda a resposta das bases para saber se as estradas serão liberadas ou se a crise prosseguirá.

Com informações de Gazeta do Povo