CARACAS – Cinco meses depois da prisão de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, o governo interino venezuelano comandado por Delcy Rodríguez enfrenta a mais séria disputa de poder desde a morte de Hugo Chávez. A líder, que assumiu em janeiro de 2026, é acusada de “traição” por alas radicais do chavismo após abrir espaço para cooperação militar e econômica com Washington.
Virada na relação com os EUA
Desde que tomou posse, Rodríguez restabeleceu voos diretos entre Miami e Caracas, reabriu a embaixada norte-americana e autorizou a volta de companhias petroleiras ao país sob supervisão de técnicos dos Estados Unidos. No fim de maio, surpreendeu correligionários ao permitir um exercício dos fuzileiros navais norte-americanos na capital — prática impensável nos governos Chávez e Maduro.
Voices de oposição dentro do chavismo
As críticas ganham força entre figuras históricas do movimento. A deputada Iris Varela e a ex-ministra Mary Pili Hernández qualificam as concessões como submissão a Washington. Varela afirmou que a captura de Maduro “teve um Judas por trás”, insinuando traição interna responsável pela operação dos EUA em janeiro.
Disputa por poder e recursos
Analistas apontam que o racha vai além da ideologia. Enquanto Rodríguez busca socorro financeiro no Fundo Monetário Internacional (FMI) e tenta normalizar relações externas para conter a inflação, grupos militares e políticos que se beneficiaram de esquemas ilegais temem perder privilégios e imunidade. O antigo discurso do “inimigo externo” mantinha o chavismo coeso; sem ele, a blindagem do regime enfraquece.
Oposição mira transição democrática
A fragmentação do governo abre espaço para líderes oposicionistas. A ativista Maria Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, classificou o gabinete de Rodríguez como “insustentável” e exige reformas no Conselho Nacional Eleitoral, além do fim de sanções políticas, para viabilizar eleições presidenciais livres com observação internacional.
Risco de levante nas Forças Armadas
O temor de um motim militar permanece alto. Mesmo após a troca no comando do Ministério da Defesa e a remoção de aliados de Maduro, oficiais de médio escalão avaliam que a aproximação com os EUA ameaça sua segurança financeira e jurídica. Fontes ouvidas pela imprensa não descartam rebeliões localizadas para tentar reverter a atual direção do país.
A tensão interna, somada à pressão externa por eleições, coloca o futuro do regime venezuelano em xeque num momento de realinhamento político e econômico inédito desde o início do chavismo.
Com informações de Gazeta do Povo