Washington (31/05/2026) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista exibida neste sábado (30) pela Fox News que não tem urgência para selar um acordo que ponha fim à guerra iniciada contra o Irã em 28 de fevereiro.
“Lentamente, mas com certeza, estamos conseguindo o que queremos”, declarou o republicano à apresentadora Lara Trump, sua nora. Segundo ele, a única garantia exigida é que Teerã não desenvolva armas nucleares. “Eles concordaram com isso e foi muito interessante”, acrescentou.
Trump admitiu que a conclusão do conflito poderia reduzir “drasticamente” o preço da gasolina, mas argumentou que acelerar as negociações resultaria em um “mau acordo”.
Memorando de trégua segue sem decisão
Na sexta-feira (29), o presidente se reuniu na Casa Branca para avaliar um memorando que prorrogaria por mais 60 dias a trégua em vigor desde 7 de abril, período destinado à discussão de um pacto de paz definitivo. Até a manhã deste sábado, não havia anúncio oficial sobre a questão.
Da ameaça de bombardeios à estratégia de paciência
A postura atual contrasta com os ultimatos lançados no início da ofensiva. O mais contundente ocorreu quando Trump advertiu que “uma civilização inteira morreria” caso o Irã não liberasse totalmente o Estreito de Ormuz até 7 de abril. Horas antes do prazo final, Washington declarou cessar-fogo; desde então, houve apenas trocas pontuais de ataques.
Pressão interna e impacto eleitoral
O recuo na retórica preocupa aliados republicanos, que veem nos altos preços dos combustíveis um risco às eleições parlamentares de meio de mandato, marcadas para novembro. Na quarta-feira (27), Trump minimizou esses temores ao afirmar, em reunião de gabinete, que “não se importa” com as midterms.
Motivos apontados por analistas
Especialistas ouvidos por veículos e centros de pesquisa sugerem explicações para a mudança. Para Mohammed Omar, editor do site House of Saud, os EUA podem “se dar ao luxo” de esperar porque são exportadores líquidos de energia e possuem uma economia de US$ 28 trilhões, menos vulnerável a choques no petróleo.
Já James M. Lindsay, do Conselho de Relações Exteriores (CFR), observa que a Operação Fúria Épica não rendeu vitória rápida, como a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro. Apressar um entendimento agora, avalia, seria sinalizar “desespero” e estimular Teerã a endurecer a posição. O pesquisador alerta, contudo, que a paciência pode causar danos irreversíveis se não houver reabertura total de Ormuz em breve.
Enquanto o memorando aguarda decisão e o bloqueio do estreito pressiona os preços dos combustíveis, Trump mantém o discurso de que tempo não é problema nas negociações com o Irã.
Com informações de Gazeta do Povo