Brasília – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contestou nesta quinta-feira (28) as declarações de parlamentares da bancada do agronegócio que descrevem o cenário do campo como “terra arrasada” em razão do avanço da inadimplência. Segundo o ministro, apesar do aumento de 6,22% nos atrasos de pagamento registrado pelo Banco do Brasil no primeiro trimestre, 94% dos produtores rurais continuam adimplentes.
Críticas ao projeto de renegociação
Durigan voltou a criticar o projeto de lei aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado na última quarta-feira (27), que prevê a renegociação de dívidas rurais com recursos do Fundo Social do Pré-Sal. O governo tenta barrar o texto por considerar que a proposta extrapola a política pública agropecuária ao incluir débitos privados fora do Plano Safra, envolvendo operações com bancos privados, cerealistas e tradings.
“Esse modelo pode chegar a R$ 800 bilhões em 13 anos, um impacto insustentável para as contas públicas”, afirmou o ministro. Ele acrescentou que limitar a taxa de juros para todos os bancos poderia desestimular novas operações de crédito ao setor: “A pretexto de ajudar o agro, renegociar dívidas pode ser um tiro no pé”.
Preocupação com o Plano Safra
Para Durigan, uma renegociação ampla comprometeria futuras edições do Plano Safra, principal fonte de financiamento do setor. O ministro disse que a equipe econômica busca formas de apoiar os produtores em dificuldade “sem criar um custo permanente que afete os próximos anos”.
Durigan relatou ter conversado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pedindo que o projeto não avance ao plenário antes de novas tratativas: “Não há condição de fazer uma grande renegociação fixando teto de juros para todos os bancos”.
Próximos passos
O ministro informou que o governo ainda finaliza os números do novo Plano Safra e reconheceu que as taxas elevadas de juros pressionam o volume de recursos disponíveis. A expectativa é anunciar o pacote “nas próximas semanas”, mantendo a estratégia de expansão do crédito agrícola adotada recentemente.
As críticas ao governo ganharam força há duas semanas, quando o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que a gestão Lula não atende às demandas do setor e que uma “tempestade perfeita” poderia afetar o próximo Plano Safra.
Com informações de Gazeta do Povo