Brasília – O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o Partido dos Trabalhadores utilizará a suposta relação financeira entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, como peça central da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista publicada nesta terça-feira (19/05/2026) pela Folha de S.Paulo, Guimarães disse que o objetivo é impedir que a oposição transfira ao governo federal responsabilidades pelo escândalo ligado ao Master. “O que não queremos é que culpas que não são do governo caiam no nosso colo. Não se pode sustentar uma candidatura com mentiras”, declarou.
Pedido de R$ 134 milhões para filme sobre Bolsonaro
Reportagem do The Intercept Brasil revelou na semana passada áudios em que Flávio Bolsonaro solicita R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a investigação, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
Considerado pela Polícia Federal o maior escândalo financeiro da história do país, o caso Master é estimado em R$ 500 bilhões de prejuízos por uma entidade que reúne policiais federais.
Reação no PL
Na mesma manhã desta terça-feira, Flávio Bolsonaro marcou reunião com a cúpula do PL para discutir o impacto dos vazamentos sobre sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto e explicar a relação com o banqueiro. O senador, o irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e aliados como o deputado Mario Frias (PL-SP) têm dado versões diferentes sobre o conteúdo dos áudios.
“A imagem do Flávio como moderno e ético ruiu; o rei está nu e será difícil ele se vestir novamente”, afirmou Guimarães.
Pedido ao STF
Também pelo PT, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou ao Supremo Tribunal Federal que inclua Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos para buscar sanções contra o Brasil após as eleições de 2022.
Lindbergh argumenta que os recursos para o filme podem ter sido usados, total ou parcialmente, na campanha internacional conduzida por Eduardo. Ele pediu medidas cautelares como apreensão de passaporte, proibição de saída do país, bloqueio de bens e quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, além de cooperação jurídica com autoridades norte-americanas para rastrear fluxos financeiros e reuniões.
As movimentações judiciais e políticas ocorrem a poucos meses do início oficial da campanha presidencial, em que o PT pretende usar o caso Master como munição para blindar Lula e fragilizar adversários ligados ao ex-mandatário.
Com informações de Gazeta do Povo