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Chavismo entrega Alex Saab aos EUA e diz que caso é “assunto bilateral”

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O governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, afirmou nesta segunda-feira (18) que a situação judicial de Alex Saab é “um assunto entre ele e os Estados Unidos”. O empresário colombiano, apontado como testa de ferro do ex-presidente Nicolás Maduro, foi deportado para território norte-americano no fim de semana.

Em pronunciamento transmitido pela estatal VTV, Delcy classificou a entrega de Saab como “decisão soberana, madura e orientada pelos interesses nacionais, da paz e do desenvolvimento”. A dirigente ressaltou que Saab é cidadão colombiano que prestou serviços à Venezuela e que, a partir de agora, sua situação jurídica passará a ser tratada diretamente com Washington.

Horas antes, o ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello, também se distanciou do ex-aliado. Segundo ele, não existe documentação válida que comprove nacionalidade venezuelana de Saab, que teria usado papéis falsos e é alvo de investigações internas por suspeita de fraudes contra o Estado. Cabello sustentou que a deportação está amparada na legislação que permite a entrega de estrangeiros acusados de lavagem de dinheiro, narcotráfico ou crime organizado internacional.

O recuo contrasta com a postura adotada durante o governo Maduro, quando Saab — que chegou a ocupar o Ministério da Indústria — era apresentado como figura estratégica do chavismo ao lado da própria Delcy e de Cabello.

Acusações nos Estados Unidos

Nos EUA, promotores federais acusam Saab de lavar milhões de dólares obtidos em programas de assistência venezuelanos e de movimentar recursos por contas bancárias norte-americanas. Ele compareceu a um tribunal em Miami logo após a chegada e passou a responder também por supostos contratos superfaturados de importação de alimentos destinados à Venezuela.

Saab fora preso em 2020 em Cabo Verde, extraditado para os Estados Unidos e libertado em 2023 em troca de prisioneiros no governo do então presidente Joe Biden. A nova deportação ocorre em meio à cooperação entre Caracas e Washington após a captura de Maduro pelos EUA, em 3 de janeiro. Autoridades norte-americanas veem Saab como peça-chave para fornecer informações à Justiça sobre o ex-líder venezuelano.

Com informações de Gazeta do Povo