Brasília – O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira, 5 de maio de 2026, a suspensão dos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) por dois meses. A penalidade se refere à ocupação da Mesa Diretora, em agosto de 2025, que paralisou os trabalhos da Casa por cerca de 30 horas.
A decisão não tem efeito imediato. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ); caso o recurso seja rejeitado, o plenário dará a palavra final.
Votação caso a caso
A apreciação foi individual. Pollon e Van Hattem receberam 13 votos favoráveis e 4 contrários, enquanto Zé Trovão teve 15 votos a 4 pela punição. O relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE), classificou a ocupação como “infração grave” e defendeu “reprimenda severa”.
Debate tenso e acusações de perseguição
A sessão se estendeu por mais de oito horas e foi marcada por discussões entre governistas e oposicionistas. Zé Trovão acusou o Supremo Tribunal Federal, em especial o ministro Alexandre de Moraes, de perseguição política. Van Hattem comparou o processo disciplinar aos julgamentos dos réus pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e disse ter atuado de forma pacífica. Pollon afirmou que a suspensão busca “calar aqueles que não se rendem”.
Protesto de 2025
Em 14 de agosto de 2025, os três deputados, acompanhados por aliados, subiram à Mesa Diretora em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), precisaram cancelar sessões e negociar a desocupação. Em determinado momento, Zé Trovão impediu a passagem de Motta ao bloquear a escada com a perna, liberando o acesso apenas após intervenção de colegas.
Se o plenário confirmar a punição, os três parlamentares ficarão afastados das atividades legislativas e terão os salários descontados pelo período de 60 dias.
Com informações de Gazeta do Povo