O pastor Zé Bruno, líder da igreja A Casa da Rocha e vocalista da banda Resgate, criticou publicamente a estrutura de tratamento diferenciado oferecida a alguns pastores em templos evangélicos. A manifestação ocorreu durante uma palestra que repercutiu no meio cristão por colocar em xeque práticas consideradas por ele “elitistas”.
De acordo com o religioso, camarins exclusivos, salas reservadas e outras regalias afastam os líderes da convivência com os fiéis. “Você tem uma salinha onde fica enquanto as pessoas chegam? Eu não tenho”, declarou, sugerindo que a separação cria uma “bolha de luxo” que inviabiliza a proximidade com a congregação.
Exemplo dentro da própria igreja
Para ilustrar seu posicionamento, Zé Bruno citou rotinas adotadas na Casa da Rocha. Ele contou que estaciona o carro longe caso o pátio esteja cheio, enfrenta a fila da cantina e paga ingresso para eventos promovidos pela igreja. O objetivo, segundo o pastor, é demonstrar que o líder deve ser visto como parte da comunidade, e não como uma figura intocável.
“Você está ensinando que o puxa-saco prospera”, advertiu, referindo-se a igrejas que mantêm privilégios a poucos e estimulam a bajulação. Ele defendeu que os próprios pastores devem “autossabotar” essas barreiras institucionais para reforçar a autenticidade da fé.
Crítica ao “empreendimento da fé”
O ministro lamentou ainda a transformação da fé em “empreendimento”, onde metas institucionais sobrepõem-se à vivência cristã. Consciente de que seu discurso direto pode gerar controvérsias nas redes sociais, afirmou que continuará expondo o tema para provocar reflexão no ambiente religioso.
Para Zé Bruno, o caminho passa pela simplicidade: abandonar hierarquias de luxo e resgatar a proximidade entre pastor e congregação. O apelo, enfatizou, não busca polemizar, mas convocar líderes a rever práticas que, na sua avaliação, tornam a igreja “mais espetáculo do que comunidade”.
Com informações de Folha Gospel