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Oposição leva Caso Master às urnas depois de Senado arquivar relatório que mirava STF

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Brasília — 15/04/2026 — A derrubada, na noite de terça-feira (14), do parecer final da CPI do Crime Organizado no Senado empurrou a pauta do Caso Master para o centro da disputa eleitoral de 2026. O documento, rejeitado pela maioria dos senadores, pedia o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República por suposto crime de responsabilidade.

Sem espaço para novas investigações no Congresso, líderes oposicionistas anunciaram que transformarão o episódio em bandeira de campanha, especialmente na corrida pelas cadeiras do Senado. O objetivo declarado é eleger parlamentares dispostos a apoiar pedidos de impeachment de magistrados da Corte.

Derrota repetida e acordo político

O insucesso da CPI repete o destino da comissão que investigou o INSS e ocorreu após um entendimento entre o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), e a base governista. Pelo acerto, a leitura do requerimento de instalação da CPMI do Master não ocorrerá, em troca da votação do veto presidencial que reduz penas para os condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

Com isso, a sessão conjunta marcada para 30 de abril deve ter pauta única, o que praticamente inviabiliza a abertura da nova comissão. O requerimento da CPMI reúne assinaturas suficientes, mas depende de leitura em plenário para avançar.

Reações no Senado

Entre os quatro votos favoráveis ao relatório, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) — relator da CPI — disse que a comissão sobre o Master era a continuidade natural dos trabalhos. Eduardo Girão (Novo-CE) falou em “blindagem de poderosos”, enquanto Esperidião Amin (PP-SC) relatou pressões externas antes da votação.

O deputado Maurício Marcon (PL-RS) criticou a substituição de integrantes da CPI às vésperas da decisão final. Já o senador Sergio Moro (PL-PR) classificou o desfecho como “manobra vergonhosa” e atribuiu a paralisação a intervenções do STF, citando nominalmente o ministro Gilmar Mendes.

STF articula resposta

No Supremo, a inclusão de ministros no relatório provocou reação imediata. Gilmar Mendes enviou pedido à Procuradoria-Geral da República para investigar Alessandro Vieira por suposto abuso de autoridade. Dias Toffoli defendeu que a Justiça Eleitoral declare inelegíveis políticos que, na avaliação dele, atacam instituições para ganhar votos. O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota em apoio aos colegas e acusou a CPI de desvio de finalidade.

Parlamentares da oposição interpretam o movimento da Corte como tentativa de intimidação. “Se um senador é ameaçado, imagine o cidadão comum”, declarou o deputado Luciano Zucco (PL-RS). Magno Malta (PL-ES) disse que sucessivas intervenções judiciais “solaparam prerrogativas” do Legislativo.

Com a via parlamentar bloqueada, a estratégia agora é usar o escândalo como munição de campanha. A expectativa dos oposicionistas é transformar o Caso Master em tema central dos debates eleitorais e testar nas urnas o apoio popular a iniciativas de investigação e eventual afastamento de integrantes do STF.

Com informações de Gazeta do Povo