Brasília — O Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira (1º) que o avanço das despesas do governo geral — composto por União, INSS, estados e municípios — superou com folga o crescimento das receitas em 2025. O descompasso fez a necessidade líquida de financiamento do setor público chegar a 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB), aumento de 1,5 ponto percentual em relação a 2024.
De acordo com o relatório, a despesa do governo federal subiu 14,38% no ano passado, enquanto a receita teve alta de 9,39%. Entre os gastos, os maiores pesos foram:
- Benefícios previdenciários e assistenciais: 12,5% do total;
- Juros da dívida pública: 9,6%;
- Transferências obrigatórias: 7,9%.
Copom e contas públicas
O Comitê de Política Monetária (Copom) levou a deterioração fiscal em consideração ao decidir por um corte menor na taxa básica de juros, informou o Tesouro.
Resultado primário e dívida
Na segunda-feira (30), o Banco Central divulgou déficit primário de R$ 30 bilhões em fevereiro. Somados os juros, o rombo acumulado alcançou R$ 100,6 bilhões no mesmo mês.
Estatais e intervenção no mercado
Em meio ao processo de reestruturação dos Correios, o relatório do Tesouro apontou agravamento de R$ 568 milhões no prejuízo da estatal, que já ultrapassa R$ 10 bilhões nos últimos 12 meses.
Diante do quadro fiscal e dos impactos da guerra no Irã, o Tesouro realizou a maior intervenção no mercado em mais de uma década, recomprando R$ 47 bilhões em títulos públicos. Dez dias depois, outro documento oficial registrou retração de US$ 2,4 bilhões nos investimentos diretos estrangeiros em 12 meses, sinalizando perda de atratividade do país.
A deterioração das contas públicas reforça o desafio do governo para equilibrar receitas e despesas em 2026.
Com informações de Gazeta do Povo