A empresa de opinião pública YouGov retirou de circulação um estudo que sugeria um “avivamento silencioso” do cristianismo no Reino Unido, depois de detectar “falhas graves” na base de dados utilizada. A decisão obrigou a Sociedade Bíblica, responsável pela divulgação do relatório, a declarar que as conclusões apresentadas já não são confiáveis.
Publicado em 2025 sob o título Avivamento Silencioso, o documento indicava um aumento expressivo na frequência a templos, especialmente entre jovens adultos. A revisão posterior, porém, apontou problemas na amostra de 2024, incluindo respostas fraudulentas e lapsos nos mecanismos de controle de qualidade.
Em nota, a Sociedade Bíblica informou ter sido avisada pela YouGov de que “a amostra estava comprometida” e que o material “não pode mais ser considerado fonte confiável”. A organização afirmou estar “profundamente decepcionada” e ressaltou que confiava nas garantias oferecidas pela empresa de pesquisa há mais de um ano.
O CEO da YouGov, Stephan Shakespeare, divulgou comunicado assumindo “total responsabilidade” pelo erro e pedindo desculpas. Conforme a companhia, falhas nos sistemas de verificação permitiram a inclusão de respostas inválidas — algumas possivelmente geradas por robôs ou por participantes interessados em recompensas financeiras — comprometendo todo o resultado.
Impacto entre líderes religiosos
O relatório vinha sendo citado por líderes cristãos como sinal de ressurgimento da fé no país, com destaque para o crescimento da participação entre pessoas de 18 a 24 anos. Críticos, contudo, já apontavam inconsistências em relação a outras pesquisas nacionais que seguem mostrando queda no nível de religiosidade da população britânica.
Próximos passos
A Sociedade Bíblica declarou que planeja novos levantamentos com metodologia mais rígida para avaliar o cenário religioso local. A YouGov, por sua vez, prometeu reforçar seus sistemas de segurança para evitar fraudes semelhantes no futuro.
O episódio reacende o debate sobre a confiabilidade de pesquisas on-line em meio ao avanço de ferramentas de inteligência artificial e golpes digitais que podem distorcer resultados e influenciar a opinião pública.
Com informações de Folha Gospel