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Bispos venezuelanos descrevem ao Papa Leão XIV impasse político quatro meses após queda de Maduro

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VATICANO, 14 de maio de 2026 — Quatro meses após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, a Venezuela segue mergulhada em incerteza institucional. Em audiência no Vaticano, bispos venezuelanos relataram ao Papa Leão XIV que a esperada normalização democrática e econômica ainda não chegou ao país.

Instituições paradas e sensação de “limbo”

De acordo com os prelados, embora a liderança tenha mudado, muitos dos antigos atores políticos permanecem nos bastidores, o que dificulta a reconstrução das instituições. A população, dizem eles, vive uma espécie de “estado de espera” por decisões que devolvam liberdade e estabilidade.

Prisioneiros políticos no centro das preocupações

Segundo os bispos, mais de 450 pessoas continuam presas por razões políticas. Uma lei de anistia aprovada em fevereiro beneficiou cerca de 8 000 venezuelanos, mas o processo está paralisado. “Não haverá paz verdadeira enquanto cidadãos forem punidos por suas ideias”, afirmaram ao pontífice.

Economia sem alívio para a população

A frustração popular cresce diante de promessas não cumpridas. Embora haja anúncios de novos investimentos em petróleo e parcerias com empresas estrangeiras, o poder de compra segue em queda: preços sobem, o bolívar perde valor e serviços básicos, como água e eletricidade, permanecem precários.

Migração fragmenta famílias e desafia paróquias

Mais de 8 milhões de venezuelanos vivem no exterior, o que separou famílias e reduziu significativamente o número de jovens e voluntários nas comunidades paroquiais. A pobreza generalizada sobrecarrega projetos sociais da Igreja que distribuem alimentos e remédios.

Chamado do Papa à reconciliação

O Papa Leão XIV incentivou o episcopado a promover unidade e perdão, ressaltando que a cura nacional deve ocorrer “sem revanche”. Para o pontífice, a Igreja precisa servir de exemplo de harmonia enquanto o país busca reconstruir suas estruturas democráticas.

A reunião concluiu-se sem anúncio de novas iniciativas, mas com o compromisso dos bispos de continuar pressionando pela libertação dos detidos e por reformas que assegurem direitos básicos à população.

Com informações de Gazeta do Povo