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Bloomberg aponta pressão econômica e política sobre Lula e compara cenário a Biden

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A agência de notícias Bloomberg publicou três textos nesta quinta-feira (26) destacando o avanço da inflação no Brasil, o impacto desse movimento sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e possíveis reflexos eleitorais semelhantes aos vividos por Joe Biden nos Estados Unidos.

Inflação supera previsões e mexe nas apostas para a Selic

Em análise sobre a economia brasileira, a Bloomberg informou que o Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,44% no mês, acima da mediana de 0,29% projetada por economistas consultados pela própria agência. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 3,9%.

O dado veio justamente quando o Banco Central iniciou um ciclo de cortes na taxa básica de juros. Segundo a agência, a surpresa inflacionária fez o mercado reduzir as apostas em novos cortes na Selic, diante do receio de que a alta do petróleo e da energia prolongue a pressão sobre os preços.

O BC, lembra o texto, apontou a guerra entre Estados Unidos e Irã como fator que aumenta a incerteza global e pode limitar o crescimento do PIB brasileiro. Para suavizar os efeitos da crise internacional, o governo adotou medidas como redução de tributos sobre combustíveis e abertura de linhas de crédito para empresas.

Cenário econômico complica estratégia do Planalto

Em outra reportagem, com foco político, a Bloomberg avaliou que a combinação de desaceleração econômica, inflação resistente e tensões externas vem ampliando a pressão sobre Lula em ano de eleição presidencial. O ambiente adverso, segundo a agência, dificulta a narrativa governista de crescimento com preços controlados.

A publicação cita que o aumento do custo de vida alimenta a insatisfação popular e torna mais complexa a tentativa do Planalto de recuperar apoio. Ao mesmo tempo, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) reforça a disputa pelo eleitorado.

Opinião: risco de repetir o caminho de Biden

Em artigo de opinião, o colunista Juan Pablo Spinetto argumenta que Lula pode repetir o “erro” de Joe Biden em 2024 ao insistir na reeleição apesar do desgaste. O texto aponta fatores como idade, economia em ritmo lento e conflitos internacionais como potenciais temas centrais da campanha, elementos que poderiam associar o presidente brasileiro a um perfil político visto como ligado ao passado.

Para o articulista, eleitores hoje demonstram maior ceticismo em relação às instituições, preocupação com inflação, criminalidade e corrupção, formando um ambiente que favorece candidatos identificados com renovação e ruptura.

A Bloomberg conclui que, diante desse quadro, o governo tenta equilibrar medidas econômicas de curto prazo com a necessidade de preservar capital político até as urnas.

Com informações de Gazeta do Povo