O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do planeta e já atraiu cerca de R$ 10 bilhões em aportes de países ocidentais que buscam reduzir a dependência da China. Entretanto, problemas logísticos, custos financeiros elevados e deficiência tecnológica no refino ameaçam transformar o país em mero fornecedor de matéria-prima.
Minerais estratégicos
As terras raras englobam 17 elementos indispensáveis para a fabricação de ímãs de veículos elétricos, smartphones e equipamentos de defesa. Com a China concentrando quase todo o mercado e limitando exportações, Estados Unidos e Europa procuram novos parceiros, colocando o Brasil no centro das atenções.
Reservas em solos mais fáceis de explorar
Minas Gerais e Goiás concentram parte expressiva dos depósitos nacionais, muitos deles em “argilas iônicas”, um tipo de solo macio que facilita e barateia a extração. Em outros países, esses minerais costumam estar presos a rochas duras, o que eleva custos e complexidade.
Receita baixa para quem só exporta minério
Hoje o quilo do minério bruto é vendido por cerca de US$ 10, enquanto componentes processados chegam a valer milhares de dólares. O Brasil domina apenas 20 toneladas anuais do processamento químico desses elementos; a China, 270 mil toneladas. Sem ampliar a capacidade de refino, o país continuará exportando valor agregado para o exterior.
Juros altos e “Custo Brasil” travam investimentos
Com a Selic em 15% ao ano e elevado déficit público, projetos industriais que demandam grande capital e retorno de longo prazo tornam-se menos atrativos. Estradas precárias, burocracia e tributos também encarecem a produção local, reduzindo a competitividade frente a produtos estrangeiros.
Pressão de mercado vinda de Pequim
O domínio chinês no setor permite a Pequim reduzir preços no mercado internacional, estratégia que já inviabilizou minas brasileiras no passado. Especialistas veem necessidade de segurança jurídica e parcerias que tragam tecnologia ao país para evitar novo fracasso.
Sem superar gargalos internos e avançar no processamento, o Brasil corre o risco de repetir o modelo exportador de commodities e desperdiçar uma oportunidade histórica de ingressar na cadeia global de alta tecnologia.
Com informações de Gazeta do Povo