Brasília, 19 de março de 2026 – Sob forte pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cinco países europeus – Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Holanda – e o Japão divulgaram nesta quinta-feira (19) uma declaração conjunta exigindo que o Irã encerre “imediatamente” seus ataques a navios e instalações civis e suspenda o bloqueio ao Estreito de Ormuz.
No documento, os signatários “condenam nos termos mais fortes” as ações iranianas contra embarcações desarmadas, infraestrutura petrolífera e de gás e o fechamento de fato da passagem marítima. Segundo a nota, esses atos violam a Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU.
Os seis governos afirmaram ainda estar “prontos para contribuir com esforços apropriados” que garantam a navegação segura no estreito, sem especificar que tipo de participação consideram e evitando mencionar o pedido de Washington por uma coalizão naval para escoltar cargueiros.
Apelo ao respeito ao direito internacional
“A segurança marítima e a liberdade de navegação beneficiam todos os países”, destaca o texto, que também convoca “todas as nações a respeitarem o direito internacional”. Nem Estados Unidos nem Israel — que bombardeou, horas antes, uma grande instalação de gás no território iraniano — aparecem nominalmente na declaração.
OMC alerta para risco na oferta de fertilizantes
Em paralelo, a Organização Mundial do Comércio (OMC) advertiu que o bloqueio de Ormuz compromete o abastecimento global de fertilizantes. De acordo com a entidade, 30% desse insumo passa pela rota, fundamental para a agricultura.
Grandes produtores agrícolas como Índia, Tailândia e Brasil dependem do estreito para, respectivamente, 40%, 70% e 35% de suas importações de ureia, destacou o economista-chefe da OMC, Robert Staiger. “Não se trata apenas dos 20% do petróleo mundial que transitam por Ormuz, mas também de uma parcela expressiva dos fertilizantes necessários à segurança alimentar”, afirmou.
O alerta foi apresentado no relatório sobre perspectivas para a economia e o comércio globais, que também avalia impactos do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis e alimentos.
Com informações de Gazeta do Povo