O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir nesta quarta-feira (18) para definir a nova taxa básica de juros. A decisão ocorre em meio a pressões divergentes: a escalada da inflação, impulsionada pela disparada do petróleo após o conflito no Irã, e o ritmo mais forte da economia doméstica, sustentado por incentivos governamentais.
Atualmente em 15% ao ano — o maior patamar em quase 20 anos —, a Selic poderá ser mantida ou sofrer cortes de 0,25 ou 0,50 ponto percentual. O resultado, segundo analistas, servirá como termômetro da credibilidade da autoridade monetária diante do cenário adverso.
Mercado revê apostas
Antes do início das hostilidades no Oriente Médio, contratos de opções negociados na B3 apontavam 83% de probabilidade de redução de 0,50 ponto. Na sexta-feira (12), a chance desse movimento despencou para 23%, enquanto a possibilidade de corte de 0,25 ponto passou a liderar com 53%, seguida pela hipótese de manutenção (25%).
Três leituras para a reunião
Manutenção em 15% – A XP Investimentos defende que o BC espere novos dados, citando o “choque negativo de oferta” representado pelo petróleo em alta em uma economia já sem folga de capacidade.
Corte de 0,25 ponto – Itaú, BTG Pactual e a Anbima consideram que um ajuste moderado seria mais apropriado devido ao comportamento ainda firme da atividade.
Corte de 0,50 ponto – Bradesco e Warren Rena mantêm essa projeção, embora reconheçam probabilidade menor. Para esses agentes, a Selic em 15% permanece “claramente restritiva”.
Inflação ganha fôlego
O Brent superou a marca de US$ 100 por barril depois do fechamento do Estreito de Ormuz, elevando custos de frete e sinalizando repasses a diesel e gasolina no mercado interno. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calcula que esses produtos estão 47% e 42% abaixo das cotações internacionais, respectivamente, o que pode pressionar reajustes de até 15% no transporte de cargas e impactar alimentos.
No lado doméstico, estímulos fiscais — como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o aumento do salário mínimo — reforçaram o consumo em um ambiente de baixa ociosidade. O IBC-Br, indicador de atividade do BC, avançou 0,78% em janeiro, e o IPCA subiu 0,70% em fevereiro, acima das projeções de mercado. As estimativas de inflação para 2026 já ultrapassam o teto da meta oficial.
Para conter o impacto dos combustíveis, o governo avalia subsídios ao diesel, medida que aliviaria o índice de preços no curto prazo, mas manteria a demanda elevada, restringindo o espaço para reduções mais profundas dos juros.
A decisão do Copom será anunciada após o fechamento dos mercados.
Com informações de Gazeta do Povo