O Ministério da Defesa de Israel anunciou nesta terça-feira, 17 de março de 2026, que matou Ali Larijani, líder do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e um dos nomes mais influentes do regime em Teerã.
Larijani, de 69 anos, era considerado braço direito do falecido aiatolá Ali Khamenei e vinha conduzindo decisões de Estado nos bastidores, segundo fontes iranianas citadas pelo jornal The New York Times. Após a morte de Khamenei, ele foi encarregado de garantir a continuidade do governo teocrático.
Carreira no regime
Nascido em 1957, Larijani ingressou na Guarda Revolucionária Islâmica em 1981, durante a guerra Irã-Iraque, e chegou a comandar unidades na linha de frente. Na década de 1990 assumiu o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica sob o presidente Hashemi Rafsanjani e manteve o posto durante o governo Mohammad Khatami.
Em 1994, Khamenei o nomeou diretor da radiodifusão estatal, cargo ocupado por uma década. Já em 2004 passou a representar o líder supremo no Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC) e, no ano seguinte, assumiu a secretaria-geral do órgão, comandando as negociações nucleares com potências ocidentais até ser destituído em 2007.
Mesmo após breve afastamento, Larijani retornou em 2025 ao comando do SNSC, consolidando-se como principal autoridade de segurança do Irã após o conflito de 12 dias com Israel em junho daquele ano.
Sanções e papel internacional
Os Estados Unidos aplicaram sanções contra Larijani por seu envolvimento na repressão a protestos anti-governo, que deixaram centenas de mortos. Ele também manteve diálogo próximo com Rússia e China em temas militares e nucleares.
Últimas aparições públicas
A última participação pública registrada ocorreu na sexta-feira, 13 de março, durante uma marcha em Teerã em apoio ao regime. Na véspera do ataque que culminou em sua morte, ele divulgou mensagem criticando governos muçulmanos que, segundo ele, deixaram de apoiar o Irã e classificou Estados Unidos e Israel como países em “dilema estratégico”.
Reação israelense
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou, em vídeo divulgado nesta terça, que a eliminação de Larijani e do comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani, “enfraquece o regime iraniano” e pode abrir caminho para que a população “assuma as rédeas do próprio destino”.
As autoridades iranianas ainda não confirmaram oficialmente a morte do chefe do SNSC.
Com informações de Gazeta do Povo