NOVA DÉLHI, Índia – O pastor Motu Sodi, sua esposa, irmã e uma sobrinha de 18 anos foram brutalmente agredidos em 13 de abril por dois integrantes de uma religião tribal tradicional, acompanhados por uma multidão, na aldeia onde vivem, no distrito de Sukma, estado de Chhattisgarh.
Segundo o religioso, os agressores chegaram à residência que também serve como local de culto da igreja que fundou há 10 anos, acusando-o de “aliciar” moradores da comunidade e convertê-los fraudulentamente ao cristianismo. Armados com pedaços grossos de madeira, os dois homens atacaram o pastor, que sofreu ferimentos internos, e sua esposa, que teve traumatismo craniano.
“Um deles me segurou enquanto o outro me batia”, relatou Sodi ao Morning Star News. A irmã do pastor teve grave lesão no ouvido, e a sobrinha, Mangali Madavi, ficou com um corte profundo na bochecha após ser atingida com a extremidade quebrada do bastão.
Pressão para abandonar a aldeia
Durante a agressão, os autores anunciaram que não permitiriam que a família continuasse na comunidade. “Queremos expulsá-los daqui”, teria dito um dos homens, de acordo com o pastor.
No dia seguinte, os mesmos indivíduos voltaram à propriedade, agrediram novamente os familiares e informaram ter registrado queixa na delegacia de Gadiras contra Sodi por “conversão fraudulenta”. O pastor buscou a polícia para denunciar o ataque, mas os agentes registraram o caso como disputa de terras entre as partes.
“Expliquei que fomos atacados por causa da nossa fé e não por conflito de posse, mas o policial disse que presumiria tratar-se de questão fundiária”, contou o líder cristão.
Atendimento médico tardio
A esposa do pastor só foi levada ao hospital em 16 de abril, depois que ele cobrou a falta de socorro imediato. Segundo Sodi, a grande perda de sangue deixou a mulher muito debilitada.
O clima de tensão permanece. Na madrugada de 15 de abril, o religioso ouviu homens tentando invadir a casa e relatou novo incidente à polícia, que orientou os moradores a não se aglomerarem na vila.
Histórico de hostilidades
Convertido ao cristianismo há mais de 15 anos, Sodi lidera uma congregação com cerca de 25 fiéis – sete famílias da própria aldeia. Ele afirma que outras famílias cristãs sofreram ataques semelhantes em 2025 e 2023.
“Quero justiça conforme a lei. Não deixarei minha casa nem renunciarei à minha fé”, declarou o pastor, que vive no local há quatro gerações com a esposa e quatro filhos, o mais novo com 3 anos.
De acordo com a organização Portas Abertas, a Índia ocupa o 12.º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, salto em relação à 31.ª posição em 2013, antes da chegada do primeiro-ministro Narendra Modi ao poder. Grupos de defesa dos direitos religiosos afirmam que o governo da Aliança Democrática Nacional, liderado pelo Bharatiya Janata Party, tem encorajado ataques a minorias cristãs.
Com informações de Folha Gospel