Vila Velha (ES) – O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) confirmou, em 11 de outubro de 2026, a condenação que obriga a Igreja Universal do Reino de Deus a devolver R$ 156 mil a um morador de Vila Velha. O fiel afirma ter sido alvo de coação moral e indução psicológica para efetuar doações entre 2011 e 2015.
Promessa de milagres
De acordo com o processo, as contribuições foram feitas após promessas de cura de uma atrofia em um dos braços, apresentadas como possível apenas mediante “sacrifícios financeiros”. No período, o homem participou de campanhas como a “Fogueira Santa” e realizou cinco doações que totalizam o montante determinado pela Justiça.
Depoimento de ex-pastor
A defesa do fiel apresentou o testemunho de um ex-pastor da denominação, que relatou a existência de orientações internas para identificar fiéis emocionalmente vulneráveis e incentivá-los a doar valores elevados em momentos de fragilidade.
Tese da instituição
Nos autos, a Igreja Universal sustentou que as doações foram espontâneas e acusou a sentença de intolerância religiosa ao considerar ilícita a busca por graças divinas. A entidade também alegou parcialidade da primeira instância, argumentando que a decisão teria se baseado na deficiência física do autor. O TJES rejeitou o recurso e manteve integralmente a condenação.
Assessorias sem retorno
Procurada, a assessoria de imprensa da Igreja Universal do Reino de Deus não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem. O advogado da instituição, Saulo Bermudes, informou que eventuais manifestações seriam feitas apenas pela assessoria.
Com a decisão de segunda instância, a igreja deverá restituir o valor integral das doações ao ex-fiel.
Com informações de Folha Gospel