São Paulo, 11 de março de 2026 — Pressionadas por juros elevados e queda no consumo, Raízen e Grupo Pão de Açúcar (GPA) optaram pela recuperação extrajudicial como caminho mais curto para reestruturar seus passivos e evitar a insolvência.
O que é a recuperação extrajudicial
O mecanismo permite que a empresa negocie diretamente com credores antes de submeter o acordo ao Judiciário. Diferentemente da recuperação judicial, o processo envolve apenas os credores escolhidos e costuma ser concluído em poucos meses, reduzindo custos e preservando a imagem da companhia.
Raízen lidera o maior processo do país
Produtora de açúcar e energia, a Raízen tenta reorganizar uma dívida de R$ 65,1 bilhões. O plano prevê converter parte do débito em ações e captar R$ 4 bilhões em novo aporte — a maior fatia deverá vir da sócia Shell. A empresa enfrenta impacto de juros altos, clima adverso na safra e investimentos ainda sem retorno.
GPA busca fôlego no varejo
Após a cisão de marcas como Assaí, o GPA ficou com dívida de R$ 4,5 bilhões. Os juros anuais, próximos de R$ 1 bilhão, apertaram o caixa. A estratégia é alongar prazos de pagamento, cortar R$ 415 milhões em despesas internas e elevar a performance das lojas.
Cenário macro pesa nas decisões
Com a Selic a 15% e metade das famílias endividadas, o crédito está caro e o consumo enfraquecido. Nesse ambiente, companhias dependentes de refinanciamento rápido veem na recuperação extrajudicial uma alternativa para ganhar tempo e evitar longas disputas judiciais.
O processo de ambas as empresas ainda precisa da homologação final do Judiciário, mas, se aprovado, pode ser concluído em menos de um ano — bem abaixo do prazo médio da recuperação judicial tradicional.
Com informações de Gazeta do Povo