Washington – Em apenas dois meses, os Estados Unidos conduziram duas operações militares de grande porte contra regimes adversários: a captura do venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, e, no fim de fevereiro, a ofensiva conjunta com Israel que destruiu instalações estratégicas no Irã e resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que as ações reforçam a mensagem de que o governo Donald Trump não hesita em empregar força militar repentina para defender interesses de segurança nacional, o que repercute em outras disputas conduzidas pela Casa Branca.
Reflexos imediatos
Para o economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena, as duas operações “reafirmam a capacidade de projeção de poder global dos EUA” e elevam o poder de barganha norte-americano em negociações abertas.
A professora Aline Thomé, do Centro Universitário de Brasília (CEUB), avalia que países sob pressão de Washington “passam a considerar seriamente a possibilidade de sofrer ação semelhante”.
Cuba e Groenlândia no radar
Cuba já sente a nova pressão: o governo Trump bloqueou o envio de petróleo venezuelano à ilha e ameaça tarifar países que abasteçam o regime de Miguel Díaz-Canel. Lucena acredita que Havana terá de ampliar a abertura econômica para aliviar o cerco.
Outra frente é a Groenlândia. Trump defende maior controle americano sobre o território dinamarquês pelo valor estratégico do Ártico. Dois dias após o ataque ao Irã, a Dinamarca aderiu a um programa de dissuasão nuclear liderado pela França, gesto que, segundo o estrategista Cezar Roedel, reflete “incerteza crescente” dentro da Otan sobre a postura dos EUA.
Competição com China e Rússia
Analistas relacionam as ofensivas à disputa por zonas de influência diante da presença cada vez maior de China e Rússia. “O ataque à Venezuela envia recado claro de que a América Latina continua área de interesse dos EUA”, observa Thomé. Para o professor Lucas Portela, a disputa inclui acesso a energia, minerais e rotas comerciais estratégicas.
Mensagem a aliados e rivais
A ações no Irã e na Venezuela também miram países que mantêm tensões com Washington. México, Canadá, Colômbia, Brasil e Nicarágua são citados como possíveis alvos de maior pressão. Thomé ressalta que intervir contra parceiros tradicionais seria “muito mais delicado” do que contra regimes isolados, enquanto Lucena prevê que, nesses casos, a Casa Branca deve privilegiar instrumentos diplomáticos e comerciais.
Como foram as operações
Venezuela – Após meses de tentativas de negociação, tropas americanas capturaram Nicolás Maduro em operação relâmpago sem baixas, levando o chavista para julgamento nos EUA sob acusação de chefiar um cartel de drogas. A vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder e já removeu agentes cubanos de postos de contra-inteligência.
Irã – A nova ofensiva veio depois de fracassadas conversas sobre o programa nuclear iraniano. Bombardeios contra centros militares e governamentais destruíram infraestrutura estratégica e mataram Khamenei. Os EUA atuaram ao lado de Israel, parceiro na guerra de junho do ano passado que já havia danificado usinas de enriquecimento de urânio.
Analistas concluem que, embora pontuais, as operações sinalizam disposição de Trump em usar a força sempre que considerar necessário para salvaguardar interesses americanos.
Com informações de Gazeta do Povo