Uma fotografia divulgada no fim de semana mostra um soldado das Forças de Defesa de Israel (IDF) quebrando uma estátua de Jesus Cristo na vila de Debel, no sul do Líbano, em 20 de abril de 2026. O episódio gerou forte reação de comunidades cristãs e levou o Exército israelense a abrir investigação e prometer punição aos responsáveis.
Investigação militar
Em nota oficial, a IDF confirmou a autenticidade da imagem, classificou o ato como “totalmente incompatível” com seus valores e informou que o Comando Norte conduz uma apuração interna. Segundo o comunicado, “medidas disciplinares apropriadas” serão aplicadas assim que a investigação for concluída.
O Exército acrescentou que colaborará com os moradores de Debel para substituir a estátua danificada e restaurar o local. A vila fica cerca de 6 quilômetros a noroeste da comunidade israelense de Shtula, próxima à fronteira.
Pedido de desculpas oficial
Na manhã de segunda-feira, 22 de abril, o ministro israelense Gideon Saar publicou no X (antigo Twitter) um pedido de desculpas “à comunidade cristã” e classificou a ação do militar como “vergonhosa”. Saar disse confiar que a IDF adotará “medidas rigorosas” tanto contra o soldado que aparece na foto quanto contra eventuais outros envolvidos, inclusive quem registrou a imagem.
Repercussão internacional
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, criticou veementemente o ato, mas elogiou a resposta rápida das autoridades israelenses. Em publicação na mesma rede social, afirmou que o soldado “não representa” o Exército nem o governo de Israel e defendeu “consequências rápidas, severas e públicas”.
Reações de líderes cristãos
A comunidade católica maronita do Líbano condenou o incidente e atribuiu responsabilidades tanto a Israel quanto ao grupo Hezbollah pelo clima de tensão na região. Já dentro de Israel, líderes cristãos mostraram preocupação, embora com menor intensidade. Alguns membros do clero, que antes incentivavam jovens a se alistar na IDF, disseram que podem reavaliar essa orientação.
Um padre franciscano que atua perto de Jerusalém, sob condição de anonimato, lamentou o episódio e atribuiu comportamentos semelhantes à ausência de ensino sobre cristianismo nas escolas israelenses. Ele citou relatos de ataques a cemitérios e propriedades de igrejas, além de casos de hostilidade contra religiosos na Cidade Velha de Jerusalém.
Próximos passos
A IDF reforçou que a investigação será conduzida “com a máxima seriedade” e que a cadeia de comando está envolvida no processo. Enquanto isso, entidades cristãs aguardam a conclusão do inquérito e a efetivação de medidas disciplinares para avaliar se o caso ajudará a reduzir a tensão entre militares israelenses e comunidades religiosas.
Com informações de Folha Gospel