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Origem do “H” em herói e a trajetória de Tiradentes: entenda a ligação

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Nesta terça-feira, 21 de abril, feriado nacional dedicado a Tiradentes, volta à tona uma dúvida comum: por que a palavra “herói” é escrita com a letra h, apesar de o som não ser pronunciado em português?

Raiz etimológica mantém a consoante

O h permanece por herança direta do latim. O termo latino heros, originado do grego hḗrōs, designava figuras semidivinas de feitos extraordinários. Como, no latim clássico, a consoante possuía sonoridade, ela foi preservada mesmo após desaparecer na fala portuguesa.

De acordo com o dicionário Houaiss, “herói” define o indivíduo notável por coragem, tenacidade, abnegação e capacidade de enfrentar situações incomuns.

Do ofício de dentista ao patíbulo

Joaquim José da Silva Xavier, que se tornaria nacionalmente conhecido como Tiradentes, recebeu o apelido porque exercia a profissão de dentista prático. Aprendizado obtido com um tio permitia-lhe extrair dentes e até confeccionar próteses com ossos de animais e arame.

Embora possuísse alguns bens, Tiradentes acumulava dívidas com a Coroa portuguesa, então detentora de rígida política de impostos sobre tudo o que se extraía, produzia ou consumia na colônia. O descontentamento com a cobrança de tributos, aliado à influência das ideias iluministas, motivou a Inconfidência Mineira, movimento que pretendia libertar a capitania de Minas Gerais.

O grupo de intelectuais, fazendeiros, padres e militares foi denunciado pelo coronel Joaquim Silvério dos Reis, e a conspiração acabou frustrada. Figura mais popular entre os inconfidentes, Tiradentes foi apontado como líder, condenado à morte, enforcado em 21 de abril de 1792 e teve o corpo esquartejado. Sua cabeça foi exposta na entrada de Vila Rica, e a residência, demolida e salgada para que nada mais ali brotasse.

Reconhecimento póstumo

Quase um século depois, já na República proclamada em 1889, o país buscava símbolos de identidade nacional. Tiradentes, antes tratado como réu, foi elevado a herói cívico, tornando-se patrono do Brasil, das polícias civil e militar e da odontologia.

Assim, no mesmo dia em que o alferes é lembrado, a permanência do h em “herói” também evoca uma ponte entre a antiguidade clássica e a construção da memória brasileira.

Com informações de Pleno.News