WASHINGTON (24.jul.2026) — O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (23) uma nova rodada de sanções contra nove entidades e duas pessoas ligadas ao governo de Cuba, intensificando a pressão sobre o programa de envio de profissionais de saúde cubanos ao exterior.
Três frentes de punição
A medida, divulgada pela pasta chefiada pelo secretário Marco Rubio, divide-se em três blocos:
1. Setor de energia — Foram sancionados o Centro de Pesquisas Petrolíferas (Ceinpet), braço da Unión Cuba-Petróleo; além das importadoras de gás natural, gás liquefeito e lubrificantes Enersa e Einarbo.
2. Empresas ligadas ao conglomerado militar Gaesa — Entraram na lista o Terminal de Contêineres do Porto de Mariel e as companhias Coral Marítima, Ceiba e Orbit S.A., apontadas por Washington como artifícios para blindar ativos do grupo controlado pelas Forças Armadas cubanas.
3. Missões médicas no exterior — O governo americano incluiu a estatal Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos S.A. (CSMC); o ministro da Saúde Pública, José Angel Portal Miranda; a Unidade Central de Cooperação Médica (UCCM); e a diretora da UCCM, Gretza Sánchez Padrón.
Acusações de trabalho forçado
Segundo o Departamento de Estado, Havana utiliza “leis e condições econômicas coercitivas” para obrigar profissionais a aderir às missões, confiscando de 50% a 95% dos salários pagos pelos países receptores. De acordo com Washington, dezenas de milhares de médicos atuam sob esse modelo em mais de 50 nações, garantindo uma das principais fontes de divisas do regime.
Consequências imediatas
As sanções determinam o bloqueio de bens localizados nos EUA, a proibição de transações financeiras por pessoas ou empresas americanas — inclusive para organizações com participação igual ou superior a 50% dos alvos — e eventuais exceções só poderão ocorrer mediante licença específica.
Pressão regional contínua
Os Estados Unidos já vinham instando governos latino-americanos a suspender acordos com médicos cubanos. Guatemala, Jamaica e Guiana estão entre os países que encerraram parcerias recentes. Em agosto de 2025, Rubio anunciou o cancelamento de vistos de servidores de Cuba e de outras nações, entre eles ex-integrantes do Ministério da Saúde do Brasil, por envolvimento nos programas.
Na mesma época, o Consulado dos EUA em São Paulo revogou os vistos da esposa e da filha do ministro brasileiro Alexandre Padilha, responsável pela implantação do Mais Médicos durante o governo Dilma Rousseff. Padilha, cujo visto estava vencido desde 2024, recebeu autorização restrita apenas para participar da Assembleia Geral da ONU em Nova York.
Ações judiciais em curso
Desde 2018, tramita na Justiça federal americana um processo contra a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), movido por quatro médicos cubanos que atuaram no Brasil. Eles afirmam ter tido documentos retidos, liberdade de circulação limitada e grande parte da remuneração desviada para Havana e para a própria Opas.
Levantamento da entidade Fundação para os Direitos Humanos em Cuba aponta que, entre 2013 e 2018, o Brasil pagou US$ 2,58 bilhões à Opas pelo trabalho de mais de 10 mil profissionais cubanos. Dados do Ministério da Saúde brasileiro indicam que, até 2018, os cubanos eram maioria no Mais Médicos; hoje representam cerca de 10% dos 26 mil participantes.
As novas sanções entram em vigor imediatamente e fazem parte da estratégia do governo dos EUA de cortar fontes de receita de Havana e combater o que Washington classifica como tráfico de pessoas associado às missões médicas.
Com informações de Gazeta do Povo