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Trump reúne-se com Xi em Pequim sob tensão comercial, crise no Irã e disputa por Taiwan

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Pequim — 12/05/2026. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou nesta terça-feira (12) uma visita de dois dias à China para dialogar com o líder Xi Jinping. É a primeira ida de um chefe de Estado norte-americano ao país desde 2017, também protagonizada por Trump, e ocorre em meio a instabilidade nas relações entre as duas maiores economias do planeta.

Delegação empresarial de peso

A comitiva norte-americana inclui 22 executivos, entre eles Elon Musk (Tesla, X e SpaceX), Tim Cook (Apple), Kelly Ortberg (Boeing), Larry Fink (BlackRock), Stephen Schwarzman (Blackstone) e Larry Culp (GE Aerospace). A presença de grandes nomes do setor privado indica que acordos bilaterais de grande porte podem ser anunciados.

Comércio: fóruns permanentes e megacompra de aviões

Segundo funcionários de Washington ouvidos pela agência Reuters, os dois governos devem formalizar um “Conselho de Comércio” e um “Conselho de Investimentos” para institucionalizar as negociações, substituindo ciclos de escalada tarifária e tréguas ocasionais. A China também pode anunciar compras de produtos agrícolas e de energia dos EUA. O acordo mais aguardado é a possível encomenda chinesa de até 500 aeronaves Boeing 737 MAX, apontada como a maior venda da história da fabricante norte-americana.

Taiwan no centro das atenções

Taiwan aparece como o tema mais delicado da agenda. Pequim considera a ilha peça fundamental da relação com Washington. O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, qualificou Taiwan como “o maior risco” nos vínculos bilaterais e cobrou que os EUA “honrem seus compromissos”. Antes de embarcar, Trump afirmou que discutirá com Xi a venda de armas norte-americanas a Taipé, declaração que gerou incerteza sobre a tradicional postura de Washington de não consultar Pequim nesse assunto.

Guerra no Irã e sanções

A ofensiva conjunta de EUA e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, deve dominar parte das conversas. Trump pretende pedir a Xi que use sua influência sobre Teerã para facilitar um cessar-fogo e a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz. Para pressionar Pequim, Washington impôs, nas últimas semanas, sanções a cinco refinarias independentes chinesas e a empresas acusadas de auxiliar o Irã.

Minerais críticos, inteligência artificial e arsenal nuclear

Três assuntos estratégicos completam a pauta: o domínio chinês sobre minerais críticos, a corrida por avanços em inteligência artificial (IA) e o controle de armas nucleares após o fim do tratado New START entre EUA e Rússia. Pequim detém a maior parte do processamento global de terras raras, enquanto Washington busca cadeias de suprimento alternativas. Na área de IA, Estados Unidos mantêm vantagem de cerca de oito meses, mas a China quer acesso a semicondutores avançados. Já em relação a armas nucleares, a Casa Branca pressiona por um novo acordo que inclua Pequim; a liderança chinesa, porém, resiste a negociar limites para seu arsenal, projetado para 1.500 ogivas até 2035.

Direitos humanos e presos americanos

Trump afirmou que abordará a situação de dissidentes, como o empresário pró-democracia Jimmy Lai, condenado a 20 anos em Hong Kong, e o pastor Jin Mingri, preso no fim de 2025. Também devem ser discutidos os casos dos cidadãos norte-americanos Dawn Michelle Hunt e Nelson Wells Jr., detidos na China por tráfico de drogas há mais de dez anos.

Especialistas consultados por universidades e think tanks dos EUA observam que, embora a retomada do diálogo alivie tensões nos mercados, os resultados concretos dependerão da disposição de ambos os líderes em transformar promessas em acordos formais.

Com informações de Gazeta do Povo