Brasília – O Tribunal de Contas da União (TCU) advertiu o governo federal de que a manutenção do serviço postal em todo o território nacional, sem um mecanismo de compensação financeira, ameaça a sustentabilidade dos Correios. A recomendação foi aprovada na sessão da corte realizada na quarta-feira (22).
Segundo a auditoria, a exigência constitucional de universalização impõe à estatal operar em regiões onde o custo é superior à receita, o que pressiona as contas da empresa. O TCU apontou “incompatibilidade entre a obrigação legal e a realidade fiscal”, ressaltando que a responsabilidade de arcar sozinha com essas despesas força a companhia a recorrer a empréstimos sucessivos.
Em dezembro de 2025, os Correios contrataram crédito de R$ 12 bilhões para reduzir o endividamento. Dois meses depois, em fevereiro de 2026, solicitaram aval para captar mais R$ 8 bilhões. O relatório sublinha que a estrutura de custos dos Correios é “altamente rígida”, com forte peso de gastos fixos, especialmente folha de pagamento e despesas corporativas.
A estatal viveu seu melhor resultado em 2021, quando registrou lucro de R$ 3,7 bilhões impulsionado pelo aumento das encomendas durante a pandemia de Covid-19. A partir de 2022, porém, iniciou-se uma sequência de déficits que culminou em prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025.
Para reverter o quadro, a empresa executa um plano de reestruturação que prevê, além da busca por recursos no mercado, programas de demissão voluntária com meta de desligar 15 mil empregados até 2027.
O TCU recomendou ainda que a ineficiência operacional seja medida por indicadores objetivos e divulgada de forma transparente. Entre as sugestões está a elaboração de relatório público anual detalhando desempenho, custos e impacto social da prestação universal do serviço postal.
Com informações de Gazeta do Povo