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PGR e PF encerram tratativas de delação com ex-banqueiro Daniel Vorcaro

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Brasília, 16 de julho de 2026 – A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) decidiram pôr fim às negociações para acordo de colaboração premiada com Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master e alvo da Operação Compliance Zero.

Segundo investigadores, duas propostas de delação foram rejeitadas por não apresentarem fatos novos nem provas robustas que justificassem benefícios penais ao banqueiro, atualmente preso preventivamente na capital federal.

Acusações contra Vorcaro

O ex-banqueiro é suspeito de chefiar um esquema de fraudes financeiras que teria provocado prejuízos bilionários a investidores, correntistas e fundos de previdência de servidores públicos. A investigação aponta que empresas de fachada eram usadas para maquiar riscos e captar recursos.

Proposta rejeitada

A defesa ofereceu devolver R$ 40 bilhões em dez anos em troca de redução de pena. A PGR e a PF, porém, consideraram que as informações apresentadas se baseavam em relatos de terceiros (“ouvi dizer”) e já constavam nos autos, sem respaldo documental inédito.

Transferência para a Papuda

Após a segunda recusa, em junho, a PF solicitou a remoção de Vorcaro da carceragem da superintendência para a ala conhecida como “Papudinha”, no Complexo Penitenciário da Papuda. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência e determinou que o investigado permaneça incomunicável com outros réus.

Posicionamento do STF

Mendonça declarou ter vetado o que chamou de “delação seletiva”, ressaltando que não aceitará acordo usado para escolher alvos ou proteger aliados. Para a PF, o pronunciamento reforça a tendência de afastar eventuais vantagens judiciais ao ex-banqueiro.

Provas já reunidas

Responsável por dez fases da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal diz ter reunido amplo material probatório, incluindo oito celulares de Vorcaro, documentos digitais e cerca de 120 aparelhos apreendidos de terceiros. O volume, segundo os investigadores, garante a continuidade do inquérito sem dependência do depoimento do principal suspeito. Agora, o foco deve migrar para outras pessoas dispostas a colaborar com fatos realmente inéditos.

As apurações prosseguem sem previsão de nova tentativa de acordo com Daniel Vorcaro.

Com informações de Gazeta do Povo