Brasília, 14 de abril de 2026 – O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (14) a cassação de mandatos e a declaração de inelegibilidade de políticos que, segundo ele, atacam instituições para conquistar apoio eleitoral.
O posicionamento foi dado durante sessão da Segunda Turma da Corte, poucas horas depois de o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alexandre Vieira (MDB-SE), recomendar o indiciamento de Toffoli e de outros ministros do STF no relatório final da comissão.
“Abuso de poder para obter votos”
Para Toffoli, parlamentares que dirigem críticas ao Supremo com o objetivo de ganhar votos cometem abuso de poder. “Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando instituições para obter voto e conspurcar o voto do eleitor”, afirmou. O ministro acrescentou que a Justiça Eleitoral “não faltará em punir” esse tipo de conduta.
Gilmar Mendes fala em “lavajatismo”
Presidente da Segunda Turma, o ministro Gilmar Mendes classificou o pedido de indiciamento como “proposta tacanha” e “erro histórico”. Segundo ele, a iniciativa carrega “um quê de lavajatismo” por recorrer, em sua avaliação, a vazamentos seletivos, narrativas midiáticas e denuncismo para pressionar magistrados.
Gilmar criticou ainda o vazamento de dados pessoais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante os trabalhos da comissão, e ironizou a atuação de congressistas que, na sua visão, desconhecem o funcionamento das instituições. Ele lembrou ter sugerido ao senador Sergio Moro (PL-PR) que “aproveitasse a biblioteca do Senado”.
“Adoro ser desafiado”, diz decano
O ministro afirmou ver o indiciamento como desafio: “Cada qual reage de uma forma a esse tipo de contingência. Eu, como sabem, adoro ser desafiado”. Em tom crítico, retomou antigas divergências com o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, associando-o aos excessos atribuídos à Operação Lava Jato.
O relatório da CPI ainda precisa ser analisado pelo plenário do Senado antes de eventual encaminhamento aos órgãos competentes. A comissão investigou supostas irregularidades envolvendo organizações criminosas e citou integrantes do Judiciário sob a acusação de interferência.
Com informações de Gazeta do Povo