A eleição presidencial colombiana de 2026 terá, em 21 de junho, um duelo entre o advogado Abelardo de la Espriella, 47 anos, representante da direita nacionalista, e o senador Iván Cepeda, 63, candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro. Ambos lideraram o primeiro turno realizado no domingo (31) e agora disputam o mandato que vai até 2030.
Abelardo de la Espriella
Fundador do movimento Defensores da Pátria, Espriella ganhou notoriedade ao defender liberalização econômica e corte de gastos públicos, o que lhe rendeu comparações com o presidente argentino Javier Milei. O símbolo de sua campanha é um tigre, em alusão ao leão usado por Milei em 2023.
Nas pautas sociais, o advogado adota posições conservadoras, como restrições ao aborto e promessa de “mão de ferro” contra o crime organizado, aproximando-o do estilo do salvadorenho Nayib Bukele. Em 2024, chegou a acusar Petro, em publicação na rede X, de “dar sinal verde” ao narcotráfico.
O presidenciável, porém, enfrenta críticas por ter sugerido a legalização de 10% do dinheiro oriundo de atividades ilícitas, como narcotráfico e mineração ilegal. Também chamou atenção sua atuação como advogado de figuras controversas, entre elas:
- Jorge Visbal, ex-senador e ex-presidente da Federação Colombiana de Pecuaristas, condenado por vínculos com o grupo paramilitar AUC;
- Alex Saab, apontado como testa-de-ferro do venezuelano Nicolás Maduro;
- David Murcia Guzmán, criador da pirâmide financeira DMG.
Espriella afirma jamais ter sido punido por sua atuação profissional e diz ter deixado a defesa de Saab quando o cliente se recusou a colaborar com a DEA, agência antidrogas dos Estados Unidos. Investigações sobre supostas ligações dele com paramilitares foram arquivadas em 2009 e 2017 pela Procuradoria-Geral colombiana.
Iván Cepeda
Filho do ex-senador Manuel Cepeda, assassinado em 1994, o candidato da esquerda estudou filosofia na Bulgária e percorreu várias siglas de esquerda até integrar o Pacto Histórico, coalizão que sustenta o governo Petro. Professor universitário e ativista de direitos humanos, foi deputado (2010-2014) e ocupa uma cadeira no Senado há 12 anos.
Cepeda participou das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), concluídas em 2016, e com o Exército de Libertação Nacional (ELN). Seu principal antagonista político é o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), a quem acusa de violações de direitos humanos e vínculos paramilitares.
Uribe, por sua vez, sustenta que o senador teria ligações com as Farc. Em 2020, apresentou e-mail supostamente extraído do computador do ex-guerrilheiro Raúl Reyes para embasar a acusação. Cepeda rebate, alegando que o material não foi validado pela Justiça e pode ter sido adulterado. Ele promete processar quem o relacionar às Farc.
Em 2025, Uribe chegou a ser condenado a 12 anos por suposta manipulação de testemunhas, decisão posteriormente revogada por um tribunal superior; um recurso tramita na Corte Suprema.
Com perfis ideologicamente opostos e apoiadores mobilizados, Espriella e Cepeda travam agora a reta final de campanha que definirá o próximo presidente da Colômbia.
Com informações de Gazeta do Povo