Brasília — O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) declarou nesta quarta-feira (22/04/2026) que foi alvo de um recado intimidatório atribuído a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) quando ainda atuava como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.
Em entrevista ao Flow Podcast, o parlamentar relatou que a mensagem foi transmitida por um colega do Senado faltando três semanas para o encerramento da CPI: “Avisa para o Alessandro que ele tem que acertar o tiro dele, senão vou acertar o meu”. Segundo Vieira, esse tipo de pressão “é permanente em Brasília”.
Relatório derrubado e tentativa de indiciamento
No parecer final, posteriormente rejeitado pelos integrantes da comissão, Vieira propôs o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Embora o texto tenha sido derrotado, o senador sustenta que a iniciativa provocou reação no Supremo. “Eles sentiram o golpe; nunca estiveram tão perto de ser responsabilizados”, afirmou.
Troca de acusações com Gilmar Mendes
Após o episódio, Gilmar Mendes acionou a Procuradoria-Geral da República contra Vieira por suposto abuso de autoridade, alegando que o relator teria omitido a responsabilização de “colegas milicianos”. O senador pediu o arquivamento da representação, citando decisões anteriores do próprio decano do STF.
Críticas a decisões de Moraes e Toffoli
Vieira ainda acusou Alexandre de Moraes de limitar o alcance temporal de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para, segundo ele, “proteger parceiros”, especialmente Dias Toffoli. Também atribuiu a Toffoli a abertura do inquérito das fake news, em 2019, para conter apurações da Receita Federal envolvendo as esposas de ambos os ministros.
O senador lamentou que servidores que investigam autoridades de alto escalão sejam punidos: “No Brasil, já se fez impeachment e já se prendeu presidente, mas não se pode investigar um ministro que leva vida de milionário e anda de jatinho?”.
Procurado, o STF não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço continua aberto para eventual posicionamento.
Com informações de Gazeta do Povo