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PF aponta Jaques Wagner como elo entre Banco Master e BRB na negociação barrada pelo BC

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Brasília – A Polícia Federal (PF) identificou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, como interlocutor frequente de empresários do Banco Master durante as tratativas para a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). A operação foi vetada posteriormente pelo Banco Central. A conclusão consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas e apreensões na manhã desta quinta-feira (18) dentro da 9ª fase da Operação Compliance Zero.

Mensagens indicam atuação ativa

Ao examinar conversas entre Wagner e o empresário Augusto Lima – ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master – Mendonça afirmou que o parlamentar “não foi mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.

Segundo a PF, Augusto Lima enviou ao senador notícias e documentos sobre rating do banco, estrutura acionária, a liquidação do Will Bank, a PEC 65/2023 (na qual surgiu a chamada “Emenda Master”), requerimentos no Senado e a negociação de venda do Master ao BRB. O volume e a regularidade desses contatos, diz o despacho, indicam que Wagner acompanhava de perto assuntos estratégicos para a instituição.

Referência pessoal e repasses financeiros

Num diálogo de março de 2025, Augusto Lima menciona a “história” que mantém com Wagner: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso”, escreveu o empresário. Para os investigadores, a frase reforça o papel do senador nas articulações do grupo.

Os autos citam ainda pagamentos de R$ 3,5 milhões a empresas e pessoas próximas à família de Wagner, valores que teriam sofrido atraso após o insucesso da operação Master-BRB.

Emenda Master e Credcesta

Documentos colhidos pela PF mostram participação de assessores do gabinete de Wagner em discussões sobre a “Emenda Master”, proposta que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e beneficiaria o Banco Master.

A investigação também liga o senador ao Credcesta, cartão de crédito consignado direcionado a servidores públicos da Bahia. Wagner teria atuado para elevar limites de contratação do produto, considerado estratégico para a expansão dos negócios do Master no estado.

Para a PF, a convergência entre iniciativas legislativas patrocinadas por Jaques Wagner e os interesses comerciais de Vorcaro e Augusto Lima reforça a suspeita de que o parlamentar servia de ponte para as demandas do grupo financeiro.

Com informações de Gazeta do Povo