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PF aponta senador Jaques Wagner como beneficiário de pagamentos, imóvel e voos de empresário do Banco Master

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Brasília – A Polícia Federal indicou que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, teria recebido vantagens financeiras, usado jatinhos particulares e negociado a compra de um apartamento de alto padrão para atender a interesses do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master. As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou 18 mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira (18) na 9ª fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, Wagner “não seria mero destinatário passivo”, mas um “interlocutor relevante” do grupo econômico investigado. A suspeita inclui atuação parlamentar em propostas que beneficiariam o Banco Master, como a chamada “Emenda Master”, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e iniciativas para expandir o limite de crédito consignado na Bahia, onde o banco operava o produto Credcesta.

Negociação de apartamento em Salvador

Os investigadores apontam que, em novembro de 2024, o senador enviou a Augusto Lima – ex-sócio de Vorcaro e também alvo da operação – detalhes de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador. Mensagens obtidas indicam que Lima mobilizou operadores financeiros para viabilizar a compra por meio de empresas que ocultariam o real beneficiário. Meses depois, familiares de Wagner teriam solicitado ao proprietário formal do imóvel documentos para reformas, reforçando a hipótese de ocultação de titularidade, segundo Mendonça.

Transferências milionárias a empresa da família

A decisão do STF cita ainda o repasse de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações S.A. – empresa ligada a Lima – para a BN Financeira Ltda., pertencente a pessoas próximas ao senador. Planilhas apreendidas em fases anteriores mostram pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões feitos a “Dudu”, apelido que a PF atribui a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner.

Voos em jatinhos de Vorcaro

Além dos pagamentos, a investigação relata que Wagner utilizou aeronaves particulares de Vorcaro para deslocamentos relacionados a interesses políticos do empresário. A PF entende que o fluxo constante de informações, pedidos e contrapartidas indica “relação funcionalmente direcionada e não meramente social” entre o parlamentar e o grupo econômico.

A reportagem solicitou posicionamento das assessorias do senador, do PT nacional e da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo federal, mas não obteve resposta até a última atualização.

A Operação Compliance Zero apura irregularidades no extinto Banco Master e em empresas associadas. Esta nona fase concentrou-se em possíveis vantagens indevidas a agentes públicos para favorecer negócios do grupo.

Mais informações serão divulgadas conforme o andamento das investigações.

Com informações de Gazeta do Povo