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PF mira grupo de Washington Reis por suposto desvio de R$ 563 mi na saúde do Rio

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A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 30 de junho de 2026, a segunda fase da Operação Anáfora, que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao possível desvio de mais de R$ 563 milhões destinados à saúde pública no Estado do Rio de Janeiro.

O principal alvo da nova etapa é um grupo associado a Washington Reis (MDB) – ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro (PL). Reis já figurou entre os investigados na primeira fase da operação, desencadeada em 2022.

Mandados e locais de busca

Os agentes cumprem 14 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias. Os nomes dos alvos desta etapa não foram revelados.

Esquema investigado

De acordo com a PF, após a primeira fase foram colhidos indícios de que investigados mantinham bens em nomes de terceiros, realizavam gastos incompatíveis com a renda declarada e participavam de negociações imobiliárias para ocultar patrimônio.

As apurações, conduzidas em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), focam em um contrato da Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias com uma cooperativa de trabalho. O documento, somado a aditivos, ultrapassou R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos. Investigadores sustentam que a cooperativa seria controlada por uma organização criminosa especializada em desviar recursos públicos, especialmente na área da saúde.

Primeira fase e personagens

A etapa inicial da Operação Anáfora ocorreu em setembro de 2022, quando foram expedidos 27 mandados de busca. Entre os alvos estavam Washington Reis e o empresário Mário Peixoto, denunciado pelo Ministério Público Federal na Operação Favorito por suspeita de corrupção durante o governo Wilson Witzel.

Contexto político

Em 2022, Reis foi anunciado como vice na chapa de reeleição de Cláudio Castro, mas teve o registro barrado pela Justiça Eleitoral e acabou substituído por Thiago Pampolha (MDB). Após a eleição, Reis assumiu a Secretaria Estadual de Transportes e Mobilidade Urbana.

Outras frentes contra Castro

A segunda fase da Anáfora ocorre enquanto Cláudio Castro enfrenta outras duas investigações da PF:

  • Operação Sem Refino – apura suposto favorecimento do governo fluminense ao grupo Refit, de Ricardo Magro, considerado o maior devedor tributário do país pela Receita Federal.
  • Oitava fase da Operação Compliance Zero – investiga a participação de Castro na autorização de cerca de R$ 3 bilhões em aplicações da Rioprevidência em ativos de alto risco do Banco Master, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A defesa de Castro nega irregularidades em ambos os casos.

As investigações da Operação Anáfora seguem sob sigilo, e ninguém foi preso até o momento.

Com informações de Gazeta do Povo