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Lula eleva tom contra Trump dias antes da retirada de delegado da PF dos EUA

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Brasília – A retirada do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do posto que ocupava nos Estados Unidos, confirmada no início desta semana, ocorreu após uma escalada de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente norte-americano Donald Trump.

Carvalho, que atuava como adido da PF em Washington, foi dispensado depois de ter participado da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. A medida coincidiu com a volta do discurso mais duro de Lula contra Trump, retomado nas últimas semanas.

Trégua rompida

Desde a conversa telefônica de janeiro, que resultou em convite para uma visita oficial à Casa Branca prevista para março – e adiada pela guerra no Oriente Médio –, Lula havia moderado o tom em relação ao líder norte-americano. A distensão começara em 2025, quando ambos se encontraram durante a 80ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.

Nos últimos dias, porém, decisões recentes de Trump voltaram a ser alvo do petista. Em viagem à Alemanha, Lula afirmou que o republicano “não foi eleito imperador do mundo” e criticou a possibilidade de o presidente dos EUA “taxar produtos, punir países e fazer guerra por e-mail ou Twitter”.

Críticas sucessivas

Em entrevista concedida a veículos brasileiros na semana passada, Lula disse que Trump “faz um jogo de narrativas” para reforçar a ideia de superioridade dos Estados Unidos. O presidente brasileiro declarou ainda que “essa guerra do Irã é inconsequente” e que as ameaças de Trump “não fazem bem para a democracia”.

Ao jornal espanhol El País, Lula acrescentou que o norte-americano “não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”, lembrando que “a Constituição dele não permite” tal postura. Também voltou a cobrar “maior responsabilidade dos poderosos pela manutenção da paz”.

Outro ponto de questionamento diz respeito ao uso intensivo das redes sociais por Trump. “Já perceberam que o Trump quer governar o mundo pelo Twitter?”, indagou Lula em recente discurso, criticando a forma como o norte-americano anuncia medidas pela internet.

Visita indefinida

Havia expectativa de que Lula desembarcasse em Washington ainda em abril, mas as negociações foram parcialmente suspensas por causa dos conflitos no Oriente Médio. Não há nova data definida para o encontro entre os dois presidentes.

Com informações de Gazeta do Povo