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Irmã de Sicário ameaçou divulgar provas para “destruir” família Vorcaro, revela PF

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Brasília — Relatório da Polícia Federal remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) indica que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, ameaçou tornar públicas supostas provas capazes de “acabar com a família inteira” do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os documentos tiveram o sigilo levantado nesta terça-feira (16/06/2026) pelo ministro André Mendonça, relator do caso.

Sicário cometeu suicídio após ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. Depois da morte do irmão, Joana passou a se queixar da situação financeira da família em um grupo de WhatsApp que incluía o bicheiro Manoel Rodrigues, o “Manolo”, apontado como operador do clã Vorcaro. Em abril, ela escreveu: “HV não se manifesta com nada $. Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades também”. HV é a sigla para Henrique Vorcaro, pai do banqueiro.

Ameaças e negociação de silêncio

Segundo a PF, Joana e a mãe receberam vídeos que mostravam fuzis acompanhados de mensagens de morte. Ela afirmou ter chegado a pesar 45 kg por não conseguir comer ou dormir. Nas mensagens, classificou os Vorcaro como “família maldita” e disse que levaria o material a programas de televisão, citando “Fantástico” e “Cabrini”.

A corporação relata que as declarações provocaram alarme entre os investigados, que enxergavam Joana como uma “menina descontrolada” capaz de expor o esquema. Diante da ameaça, Manolo teria atuado, com a anuência de Henrique Vorcaro, para “comprar o silêncio” das duas mulheres. Conversas interceptadas mostram tratativas para transferir contratos de ativos e repassar dinheiro a Joana e à mãe, com o objetivo de impedir que o conteúdo do iCloud do irmão chegasse às mãos da PF.

Em uma das mensagens, Manolo informa a Henrique Vorcaro: “Vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo, no nome da mãe, para resolver a questão”. O episódio embasou o pedido de prisão preventiva de Henrique, já que as transferências podem configurar novos crimes de lavagem de dinheiro além de tentativa de obstrução de Justiça.

Estrutura armada e intimidação

O inquérito descreve que Manolo comandava um aparato de segurança “altamente agressivo”, com seguranças treinados, veículos blindados e armamento pesado. Em interceptações, participantes de uma reunião compararam o ambiente à “Rússia do Putin”. O próprio Manolo relatou usar snipers em encontros para rescindir contratos e declarou hostilidade a policiais militares, afirmando: “PM bom é debaixo de sete palmos”.

A PF também apurou ameaças contra ex-funcionários de Daniel Vorcaro em Angra dos Reis (RJ) e encontrou documentos internos da própria corporação na casa de Henrique Vorcaro — indício de possíveis informantes infiltrados para monitorar investigações.

Procurada por e-mail, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até o fechamento desta edição. As defesas dos demais citados também foram contatadas, e o espaço permanece aberto.

Com informações de Gazeta do Povo