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Após cinco anos no exílio, Dinorah Figuera volta à Venezuela para negociar transição política

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Caracas – A deputada opositora venezuelana Dinorah Figuera regressou à Venezuela nesta quinta-feira (18/06/2026) após aceitar convite do Departamento de Estado dos Estados Unidos para participar de discussões sobre uma eventual transição política no país.

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, que serve a capital Caracas, Figuera reuniu-se com o encarregado de negócios norte-americano, John Barrett, e, em seguida, com o presidente da Assembleia Nacional controlada pelo chavismo, Jorge Rodríguez. Segundo a parlamentar, os encontros integram “uma agenda mais ampla” destinada a elaborar um roteiro de trabalho que inclua garantias de liberdade de expressão e redução das tensões internas.

Defensora da Assembleia de 2015

Figuera defende a continuidade da Assembleia Nacional eleita em 2015, último parlamento venezuelano com maioria opositora. Em janeiro de 2023, ela foi escolhida presidente desse Legislativo, que, embora tenha tido o mandato encerrado constitucionalmente em janeiro de 2021, é considerado pela oposição o último poder legitimamente eleito no país.

Anos de exílio e denúncias

A deputada deixou a Venezuela em 2021, primeiro buscando asilo na Embaixada da França em Caracas e, posteriormente, exilando-se na Espanha. A decisão foi tomada após acusar publicamente o governo de Nicolás Maduro pela morte do vereador opositor Fernando Albán em 2018, enquanto ele estava sob custódia do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

Figuera e outras colegas de bancada chegaram a ser alvo de processos abertos pela Promotoria venezuelana, sob acusações de usurpação de funções, traição à pátria, legitimação de capitais e associação ilícita.

Apoio de Washington

O retorno ocorre em meio a uma nova fase de articulação diplomática. Em abril deste ano, Figuera encontrou-se em Washington com Michael Kozak, subsecretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental. Na ocasião, Kozak reconheceu a deputada como presidente da Assembleia de 2015 e discutiu “caminhos para uma transição democrática estável e ordenada”.

De acordo com o jornal espanhol El País, o governo dos Estados Unidos incentivou a volta de Figuera como parte de uma estratégia para reabrir canais de diálogo com o chavismo sobre renovação institucional e possíveis saídas para a crise venezuelana.

O cronograma das próximas reuniões e os detalhes práticos das negociações ainda não foram anunciados.

Com informações de Gazeta do Povo