Brasília, 18 de junho de 2026 – A Polícia Federal colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, no epicentro da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas vantagens oferecidas pelo Banco Master e por empresários ligados à instituição.
O que está na mira dos investigadores
Segundo decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, Wagner seria o “beneficiário central” de vantagens estimadas em milhões de reais. Entre os pontos levantados estão:
• Compra de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões, formalizada por empresa ligada ao empresário Augusto Ferreira Lima.
• Uso de aeronaves privadas para deslocamentos do senador e de familiares, inclusive viagens à chamada “Ilha da Paixão”, atribuída a Lima.
• Pagamento de R$ 63,3 mil em ingressos para shows nos Estados Unidos, a pedido do parlamentar.
• Transferência de R$ 3,5 milhões a uma financeira ligada a familiares de Wagner.
• Repasse superior a R$ 2,3 milhões identificado em planilhas da PF para “Dudu”, apontado como o enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, atual secretário de Meio Ambiente da Bahia.
Atuação parlamentar em pauta
Para a PF, os benefícios estariam vinculados à atuação de Wagner em temas de interesse do Banco Master no Congresso:
• Propostas para ampliar a margem do crédito consignado e incluir beneficiários de BPC e programas sociais.
• Emenda à PEC 65/2023 prevendo aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, texto que teria sido enviado ao senador por Lima.
• Acompanhamento da tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), com troca constante de mensagens sobre o tema.
Reações no Planalto e no PT
A operação surpreendeu o Palácio do Planalto. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutem reservadamente a possibilidade de Wagner deixar a liderança para priorizar a defesa, mas o senador afirmou que permanecerá no cargo e manterá a pré-candidatura à reeleição.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, divulgou nota declarando “total confiança” em Wagner e defendendo o avanço das investigações “doa a quem doer”.
Posicionamentos dos citados
Em entrevista à rádio BandNews, Wagner disse que o apartamento foi comprado por Lima para ajudar sua filha, com promessa de recompra posterior, negou lobby para o Banco Master e atribuiu o dinheiro vivo apreendido a diárias de viagem parlamentar. Também afirmou ter recebido ligação de solidariedade de Lula.
A defesa de Augusto Ferreira Lima classificou as buscas como “desnecessárias” e disse que os fatos são “rigorosamente lícitos”. Até o fechamento desta reportagem, o enteado Eduardo Martins não se manifestou.
O ministro André Mendonça determinou sigilo estrito sobre a operação, que foi comunicada ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao presidente Lula apenas após o início dos mandados.
Com informações de Gazeta do Povo