Londrina (PR), 16 de abril de 2026 — A agrônoma e pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, foi incluída na tradicional lista “Time 100” de 2026, na categoria Pioneiros. A revista norte-americana destacou o trabalho da cientista brasileira no desenvolvimento de tecnologias que usam microrganismos para fixação biológica de nitrogênio, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos no campo.
Quatro décadas dedicadas ao solo
Com mais de 40 anos de carreira, Hungria concentra suas pesquisas em microbiologia do solo, especialmente na associação de bactérias bradyrhizobium e Azospirillum brasiliense à cultura da soja. De acordo com estimativas da própria pesquisadora, apenas em 2024 essa tecnologia poupou cerca de US$ 25 bilhões (R$ 125 bilhões) em adubos nitrogenados e evitou a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
Reconhecimento internacional acumulado
O lugar na lista da Time soma-se a uma série de distinções recentes:
- 2025 — Vencedora do World Food Prize, considerado o “Nobel” da agricultura.
- Desde 2020 — Presente no ranking da Universidade de Stanford que reúne os 100 mil cientistas mais influentes do planeta.
- 2022 e 2025 — Líder brasileira em Fitotecnia, Agronomia e Microbiologia segundo o Research.com.
- 2025 — Prêmio Mulheres e Ciência (CNPq, Ministério das Mulheres, British Council e Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe).
- 2026 — Lista Forbes das 10 principais lideranças globais do agronegócio.
Da infância ao pioneirismo
O interesse de Mariangela Hungria por microrganismos começou aos oito anos, após ler “Caçadores de Micróbios”, presente de sua avó, professora de ciências. Formada em Agronomia pela Esalq/USP em 1976, decidiu focar em insumos biológicos num período em que a ideia era vista como inviável para a agricultura em larga escala.
Impacto para o Brasil
Hoje, o país é líder mundial no uso de processos biológicos, embora apenas 10% a 15% da área cultivada utilize essa alternativa. Segundo Hungria, o reconhecimento da Time reforça o protagonismo brasileiro e a importância de ampliar o uso de inoculantes não só na soja — onde já podem substituir totalmente o adubo químico — mas também em milho, feijão, trigo, arroz e pastagens, entre outras culturas.
“É um orgulho para a pesquisa brasileira e para a Embrapa”, afirmou a cientista, ao destacar que a visibilidade internacional pode acelerar a adoção de práticas mais sustentáveis no campo.
Com informações de Gazeta do Povo