O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que o inquérito das fake news, conduzido pelo colega Alexandre de Moraes, deve permanecer aberto “pelo menos até as eleições”. A declaração foi dada na noite de quarta-feira (22), em entrevista ao Jornal da Globo.
“Acho que foi um momento importante o Supremo ter aberto o inquérito e mantê-lo pelo menos até as eleições, acho que é relevante”, disse. O inquérito, instaurado em 2019 e há sete anos em andamento, é considerado pelo ministro ainda “necessário”. Segundo ele, a investigação “vai acabar quando terminar”.
Críticas a ataques ao STF
Gilmar Mendes citou o pedido de indiciamento apresentado pelo relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), contra ele, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O ministro classificou o pedido como “covardia” e exemplo de “vilipêndio” ao tribunal. “Isso pode ser deixado assim? Acho que não. É preciso que haja resposta”, afirmou.
Pedido de inclusão de Romeu Zema na investigação
Na mesma entrevista, o ministro explicou por que solicitou a Moraes a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no inquérito. O motivo foi um vídeo satírico em que bonecos representam magistrados do STF e fazem referência ao resort Tayayá, citado em polêmica envolvendo Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Para Gilmar, o material tem “sofisticada edição profissional” e visa “vulnerar a higidez” do Supremo com fins de autopromoção. Ele afirmou que Zema, pré-candidato à Presidência, “tenta sapatear” em razão da proximidade do pleito. “Uma linguagem muito pouco própria. Ele fala uma língua próxima do português, mas que é entendida como ofensiva, e isso precisa ser aferido”, declarou.
Menção à dívida de Minas Gerais
O ministro também lembrou liminares do STF que suspenderam a dívida de Minas Gerais com a União. Questionado se sua fala não soaria como “cobrança” ao ex-governador, negou: “Estou só chamando a atenção para o fato de que as pessoas vêm ao tribunal, se socorrem do tribunal e depois fazem esse tipo de sapateado, o que não me parece uma postura eticamente correta”.
Com informações de Gazeta do Povo