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Mudança na política externa aproxima Brasil do Irã e gera alerta entre potências ocidentais

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Brasília – Analistas de relações internacionais apontam que o Brasil atravessa uma guinada diplomática ao intensificar laços com o Irã, rompendo uma tradição de neutralidade que remonta ao Império. A avaliação surge após uma série de decisões dos governos Luiz Inácio Lula da Silva, que reforçaram a proximidade entre Brasília e Teerã.

Visitas e acordos desde 2009

• Em 2009, o então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad visitou o Brasil, marcando o primeiro encontro oficial de alto nível entre os dois países.
• No ano seguinte, Lula viajou a Teerã para negociar, ao lado da Turquia, o “Acordo de Teerã”, que previa a troca de urânio iraniano por combustível nuclear. Estados Unidos e potências europeias rejeitaram o entendimento, por considerarem insuficientes as garantias de contenção ao programa nuclear iraniano.

Navios de guerra e Brics

• Já em seu terceiro mandato, em 2023, o governo brasileiro autorizou a atracação de dois navios militares iranianos no Porto do Rio de Janeiro, apesar de pressão diplomática de Washington para cancelar a escala.
• No mesmo ano, durante a Cúpula de Joanesburgo, o Brasil apoiou o convite para que o Irã ingressasse no Brics, com adesão efetiva em 2024. Especialistas observam que a inclusão ocorreu mais por convergências políticas do que por critérios econômicos.

Declarações e reações internacionais

• Em 2025, quando presidiu a reunião do Brics no Rio de Janeiro, o Brasil assinou declaração que condenou ataques ao Irã sem citar autores. Lula afirmou que “ninguém vai pedir para o Irã mudar de posição sobre Gaza”.
• Após bombardeios de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos em 28 de fevereiro de 2026, o Palácio do Planalto classificou a operação como violação da soberania iraniana. O embaixador do Irã em Brasília agradeceu publicamente o posicionamento.

Preocupação de aliados

Para Washington e Tel Aviv, o estreitamento de relações com Teerã representa risco estratégico. Os governos norte-americano e israelense lembram que o Irã financia grupos como Hezbollah e Hamas e mantém um programa nuclear sob sanções internacionais.

Tradição diplomática em xeque

Historicamente, o Itamaraty manteve postura de mediação e distância de conflitos ideológicos. A guinada atual, afirmam especialistas, pode afetar a credibilidade do país em fóruns multilaterais e associá-lo a regimes acusados de violações de direitos humanos.

A discussão sobre a política externa brasileira segue em aberto no Congresso e entre diplomatas de carreira, que defendem o retorno a uma estratégia centrada em pragmatismo e interesses nacionais.

Com informações de Pleno.News