Brasília – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes prepara para junho de 2026 a edição mais ambiciosa do Fórum de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza”, em meio a cobranças de transparência sobre viagens de autoridades bancadas pelo Banco Master.
Viagens de luxo na mira da PF
Investigações da Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, arcou com cerca de R$ 60 milhões em passagens, hospedagens e festas para autoridades brasileiras no exterior em 2024. Parte desses benefícios teria ocorrido em Londres e Lisboa, paralelamente às atividades oficiais do fórum organizado por Mendes.
Conflito de interesses preocupa especialistas
Analistas políticos alertam para o risco de conflito de interesses. Embora a participação de magistrados em eventos acadêmicos seja permitida, a proximidade com patrocinadores que possuem processos em instâncias superiores levanta dúvidas sobre a imparcialidade do Judiciário.
Posicionamento de Gilmar Mendes
Mendes reage às críticas com ironia e defende a importância institucional do encontro. Segundo o ministro, o termo “Gilmarpalooza” evidencia o sucesso do fórum, que atraí magistrados, membros do Executivo e representantes do setor privado para debater temas como tecnologia e soberania.
Novo código de ética em discussão no STF
Para reduzir o desgaste, o presidente do STF, Edson Fachin, busca aprovar ainda em 2026 um código de ética que delimite a participação de ministros em eventos sociais e a relação com empresas privadas. O texto está sendo elaborado pela ministra Cármen Lúcia, mas enfrenta resistência interna devido ao clima político.
O Fórum de Lisboa segue confirmado para junho, apesar da pressão por mais transparência sobre o financiamento de viagens e a participação de autoridades brasileiras.
Com informações de Gazeta do Povo